Blog de Samuel Filho

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Os estudantes do Liceu Piauiense ficavam  eufóricos quando o  professor,  jornalista  e advogado  Arimatéia  Tito Filho dava aula de Português.  A fama dele como intelectual era um mito para nossa geração  de adolescentes nos anos 60 do século 20. Ensinava com método atraente,  de uma seriedade leve, de maneira que gostaríamos  que se prolongasse. Escrevia no  antigo quadro negro com uma bonita caligrafia. O único problema é que o mestre  não dava aula com frequência regular.

Trabalhava como auxiliar de escritório, com 18 anos,  e estudava à noite no Liceu. Queria outra profissão  e tive a oportunidade de começar a trabalhar no Jornal O DIA, de propriedade do coronel Otávio Miranda. Abandonei a escola e me dediquei ao jornalismo em tempo integral. O editor era o jornalista Deoclécio Dantas, um dos mais destacados dos meios de comunicação piauienses, escrevendo artigos até hoje, com brilhantes passagens pelo rádio e televisão, além de uma carreira política como deputado e vice-prefeito de Teresina.

Saindo de O DIA, Deoclécio foi substituído pelo jornalista e poeta Pompílio Santos, com o qual Tito Filho manteve uma das polêmicas mais acirradas daquela época.  Pompílio Santos fora cassado como vereador de Fortaleza durante o golpe de 64. Sabendo disso, Tito Filho escrevia em sua coluna que Pompílio era comunista e até chegou a analisar um poema , no qual  o cearense  dizia : “Para o rei tenho um petardo”.

Numa época em que se podia ser jornalista, advogado e escritor,  atualmente uma coisa impossível, Tito Filho, após a morte do desembargador Simplício Mendes, tornou-se presidente da Academia Piauiense de Letras. Mas, sofreu muitos obstáculos com os conflitos pessoais com  o ex-governador Petrônio Portela e, logo depois, senador e ministro do regime militar.

Lá pelos  anos 70, mais ou menos,  o político Alberto Silva, de Parnaíba, elegeu-se governador, convidando Tito Filho para secretário de educação. Nesse período, Tito Filho conseguiu uma sede , onde funcionara o Colégio Domingos Jorge Velho,  um belo prédio centenário  na avenida Miguel Rosa. Na literatura,ele  produziu um livro sobre a raiz etimológica das palavras, livros e contos. Organizou e comentou obras de autores do  século XIX. Como Zito Batista. Faleceu ainda cedo , aos 68 anos, vítima de enfisema pulmonar, fora  um fumante inveterado.  A minha geração e a seguinte perderam  um líder intelectual do século passado.


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Dom  Avelar Brandão Vilela era  arcebispo de Teresina .   Eu trabalhava agora  no Jornal  O DOMINICAL, da arquidiocese.  Participei  de uma entrevista coletiva, concedida  pelo prelado aos jornalistas. A sede do arcebispado, onde morava dom Avelar, era localizada na Avenida  Frei Serafim, nas proximidades  da igreja São Benedito.

As perguntas dos jornalistas giraram, em parte, sobre o  posicionamento de dom  Helder Câmara, arcebispo  de Recife,  contra o regime militar. Dom Avelar  falou, entre outras coisas, que dom Helder era adulto para saber o que estava fazendo. Moderado, ele dava a  entender  que  não se podia  dar a mão em ponta de faca em pleno auge da ditadura militar. Estávamos em 1968.

O arcebispo de Teresina presidia o Conselho Episcopal  Latino-Americano- CELAM, com  sede em Bogotá. Viajava constantemente para compromissos em eventos eclesiais. A Rádio Pioneira, da arquidiocese,  com maior audiência da mídia local, transmitia diariamente sua ‘Oração Por Um dia Feliz”.

Depois de mais de  uma década  em Teresina, muito querido pelo povo, Dom Avelar Brandão Vilela foi  escolhido Cardeal Primaz do Brasil, com residência em Salvador, onde faleceu aos 76 anos, aproximadamente, quando  a ditadura  estava moribunda.

Deixou um legado importante para a organização dos trabalhadores rurais  em sindicatos e estimulou as atividades  do Movimento de Educação de Base.  É um vulto histórico que contribuiu para o engrandecimento do Piauí.


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  A ditadura militar radicalizou com  a edição do  Ato Institucional número 5, em fins de 1969. A justificativa  para a eliminação das garantias individuais era  a subversão  política e social, atribuída aos comunistas e aos democratas autênticos que defendiam a redemocratização do Brasil, uns pela luta armada e outros  pela via parlamentar ou pacífica. Derrotou posteriormente  o regime de exceção  a alternativa parlamentarista.

Estava iniciando como repórter do Jornal ‘O DIA’,  em Teresina, Piauí, e recebi  a pauta para entrevistar o senador e ex-governador do Estado, Petrônio Portela.  Em companhia do jornalista Oswaldo Lemos fomos  à residência do senador, na Avenida Frei Serafim. Lá, encontramos o radialista Carlos Augusto, da Rádio Pioneira,  e esperamos  alguns minutos.

Petrônio Portela, baixo, gordo, com óculos escuros, aparece e nos cumprimenta  sorridente.  Lembro-me nitidamente  desse fato, mas do conteúdo da entrevista  nada.Não demorou muito,  eu já trabalhava no Jornal O DOMINICAL, da Arquidiocese de Teresina. Petrônio foi convidado para um debate na Faculdade de Filosofia, FAFI, e o senador  atendeu o convite.

Na entrada  da FAFI, havia um salão onde  ocorreu o debate. Estudantes e professores lotaram o espaço. Também de óculos pretos,  Petrônio começou a falar sobre o AI-5 e, de repente, o advogado Celso Barros , professor de Direito e Literatura, fez uma intervenção, colocando o senador em  contradição. Daí pra frente, polarizou  uma discussão acirrada entre os dois.

- Você sabe que nos enfrentamos no fórum,  disse Petrônio. E eu sou senador da república.

-  Não o sou porque não percorri os caminhos fáceis de Vossa Excelência, retrucou Celso Barros.

Palmas para o advogado e vaias para o senador.

Petrônio  Portela  tornou-se ministro da justiça do governo do general Geisel e Celso Barros, vivo até hoje,  consolidou uma reputação como advogado, uns dos maiores da nossa contemporaneidade. Elegeu-se  deputado estadual, cassado  pelo golpe militar de 64 e, depois, deputado federal.  O senador morreu  aos 58 anos ainda como ministro de Geisel.


A internet é o novo bode expiatório  entre as mídias tradicionais e contemporâneas. As  redes sociais são  formas de expressão avançadas , livres e democráticas em relação a publicações impressas e até mesmo  ao rádio e à televisão, pois sobre  estes  exercem  controle patronal , consequentemente,  os  profissionais de comunicação e o conteúdo das informações  veiculadas.

Sob a égide da liberdade de pensamento, surgiu a internet, mas as tentativas de se estabelecer censura não têm sido bem sucedidas. Nos demais veículos de comunicação é fácil  difamar  e caluniar outrem,  segundo os interesses de seus  responsáveis, ressalvando-se um direito de reposta  que não corresponde aos danos morais  imputados  às vítimas.

Na Internet  é muito  diferente.  As partes ou internautas podem se digladiar ou litigar em  pé de igualdade através das  redes sociais, o facebook , por exemplo,  para  citar uma das maiores, com mais de um bilhão de usuários no mundo.  E a internet  não é  ainda a mídia dos tempos do anarquismo, se chegarmos lá em plena era dos conflitos nucleares e das armas químicas. O anarquismo , dizem os cientistas políticos,  será uma fase da sociedade humana posterior  ao socialismo, o qual, conforme Karl  Marx,  clássico da sociologia e da economia política, somente será alcançado depois de o capitalismo esgotar todas as suas potencialidades.  Estamos ainda em plena fase  científica e tecnológica do capitalismo.

O conservadorismo  político, econômico e social tem uma visão retrógrada  sobre a internet ,  e, agora,  como fez no passado sistematicamente contra   jornais,  quer  punir e responsabilizar criminalmente  até notícias e opiniões  de internautas,  oriundos do jornalismo profissional , como  boateiros.


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Em ‘Clamor  da Hora Presente’ , livro de juventude,  o poeta  e ecologista  Nascimento  Moraes Filho já revelava o grande talento dele,  como se fora seguidor  do genial Bertold Brecht, cuja  estética  teatral e literária ainda hoje  influencia as gerações de  artistas contemporâneas.

Em 1980, aproximadamente,  Nascimento Moraes Filho, um rebelde já sessentão, interrompe  as pesquisas folclóricas, e explode como combatente da causa ecológica, mobilizando  o povo para impedir a instalação da indústria de alumínio norte-americana  ALUMAR, na ilha de São Luís,  em consequência da  emissão  do fluoreto, uma substância altamente poluente, com lama vermelha deságua no Golfão Maranhense.

A ditadura militar e seus apadrinhados locais, subservientes  aos generais de plantão, impuseram  implacavelmente  a  implantação da ALUMAR. Mas, como todo revolucionário, Nascimento Moraes Filho  não fugiu à luta. Fundou o Comitê deDefesa  da  Ilha de São Luís, ao lado de Raul  Ximenes, também falecido, químico e sociólogo, professor cassado da USP,  ex-assessor da FAO.

Nascimento Moraes Filho deixou  um legado  poético e ecológico inigualável. Ainda em vida recebeu  as  medalhas  do reconhecimento e de ONG’s como o Greenpeace  e de outras entidades nacionais e internacionais.

Merece  a homenagem  in memoriam  que  a SÉTIMA  FELIS vem  lhe prestando, com a palestra da professora universitária Rita Santos e o lançamento , no próximo sábado, de nova edição  do seu livro de poesia  ESFINZE DO AZUL, cuja segunda edição  de 1996 é bilíngue.  Extraímos do livro alguns pensamentos  do  autor:

‘NÃO É MAIOR O QUE PRODUZ MAIS,  PORÉM, O QUE PRODUZ MELHOR’

‘EVIDÊNCIA É DOENÇA DO MEDÍOCRE, AS SUAS OBRAS, O SEU ATESTADO DE ÓBITO’

‘A POSTERIDADE  EXPULSARÁ DO PANTEON  AS GRALHAS, QUE LUDIBRIAM O PRESENTE , ENFEITADAS COM PENAS DE PAVÃO’ 


Com  as trapalhadas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em torno de mudanças repentinas das regras  para cassação de mandatos de notórios corruptos da política brasileira, abateu-se no Maranhão uma atmosfera de pessimismo, de tal  amplitude que não tem sentido mais  a luta política de oposição.

É verdade que  nenhuma guerra de resistência é fácil. Difícil sim, impossível  jamais. A própria luta contra a ditadura militar exemplifica, mostrando que todo  gigante terreno tem os pés de barro. Se o povo  destruiu  um regime autoritário, considerado eterno  pelos que perderam as ilusões, é um equívoco tremendo  e alienante crermos que o grupo Sarney  é uma exceção.

De fato,  50 anos de hegemonia dão-nos  a sensação  de eternidade. Mas, uma análise lógica e objetiva de algumas  ocorrências  políticas durante os governos Lula explicam  as causas da continuidade das vitórias fraudulentas  dos detentores do poder maranhense. Lula deve favores a Sarney, com a crise do mensalão.  Sarney  só não caiu da presidência do Senado, nos episódios dos atos secretos, graças ao então presidente Lula.

Agora,  na era Dilma Rousseff,  Sarney, antes de deixar  a presidência do Senado,  atou as mãos da presidenta. Colocou na presidência da Casa  o senador Renan Calheiros, deposto anteriormente por  fazer lobby. E na Câmara Federal , Henrique Alves, um ícone do fisiologismo do PMDB, além de Michel Temer, vice-presidente da república.

Como se deram tantas concessões   pelo governo Dilma, tão bem assessorada por Lula? Que  boleto de valor tão alto estavam devendo ao cardeal pemedebista Sarney? O que se assiste no congresso nacional  é falta de apoio ao governo, agressões e afronta. Dilma e Lula caíram numa armadilha, vingança e traição?

A oposição  do Maranhão tem estratégia, com Flávio Dino, para enfrentar nas eleições de 2014 o poder  sarneisista. E o PCdoB , um velhinho de 90 anos, tem a sabedoria política  para comandar ao lado de valorosos aliados  a candidatura  do povo, que já se organiza para a batalha eleitoral  decisiva do próximo ano.  Mais: não adianta excluir dissidentes, pois temos aí o exemplo de José Reinaldo.


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Os discursos  breves e simples  do pontífice  foram caracterizados por ensinamentos que traduzem  a essência  da doutrina cristã. Um deles é sobre a esperança, a qual jamais devemos perder.  Aliás,  por várias vezes , Francisco utilizou o vocábulo, a revelar  que a esperança não deve ser  a última que morre, mas uma atitude de fé diante de todos os desafios  e sofrimentos  que enfrentamos  no pantanal da existência.

Chamou os traficantes de “mercadores da morte” , ao  visitar um centro  de recuperação de dependentes químicos, obra social da igreja. Mais:  disse que o dinheiro e o prazer são coisas efêmeras.

Quase bonachão,  o papa brincou com autoridades e as multidões de fiéis que participam da Jornada Mundial da Juventude  ( JMJ ), no Rio de Janeiro. E, sempre sorridente,  repetiu  uma frase, aparentemente paradoxal : “Rezem por Mim”.

O Brasil, maior país católico do mundo,  ganhou com a JMJ, e o papa,  do alto da sabedoria cristã,  une  fé e oração em  Jesus Cristo, símbolo maior do amor, misericórdia e perdão, com preocupações  sociais, rejeitando as injustiças , a fome e a miséria.


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