Blog de Samuel Filho

HISTÓRIA DA LITERATURA OCIDENTAL (IV )

Posted on: 30 de setembro de 2012


A  poesia lírica grega é examinada  por Otto Maria Carpeaux  com  a observação de que foram legados  apenas fragmentos aos estudiosos. Afirma o escritor:  
‘Com exceção da obra de Píndaro, possuímos só fragmentos, que não  permitem reconhecer a personalidade  dos poetas, nem sequer nos dão ideia  bastante exata do que foi aquela poesia; nenhum crítico literário ousaria jamais interpretar e julgar um poeta moderno do qual só conhecesse tão  poucos  versos como existem dos líricos gregos”. Ademais,  o lirismo da antiguidade  grega era  umbilicalmente ligado à música, da qual Carpeaux diz que não podemos  formar ideia.

Na opinião do autor,  a poesia lírica tinha como objetivo a expressão de paixões violentas. “Por isso, celebraram o nome de Alceu, aristocrata belicoso e poeta requintado”.  “E para explicar o poder de expressão  da maior das poetisas , Safo, inventaram  uma coroa de lendas:  Safo como  centro  de um círculo de mulheres dadas ao amor lésbico, ou Safo que se suicida por amor  a uma jovem que não compreendeu  a paixão da poetisa envelhecida”

“É, pois, uma realidade a afirmação de que só nos chegou, da poesia lírica grega, com exceção da de Píndaro,  a parte menos importante;  e de resto, só pobres fragmentos. Parece que já a própria Antiguidade se esquecera  daquelas expressões  poéticas, incompatíveis  com os ideais pedagógicos  da literatura grega”.

Para o escritor, “o  desaparecimento da  poesia lírica grega  é um fato histórico de importância capital : contribuiu para criar no futuro a imagem convencional da Antiguidade, o pretenso equilíbrio “olímpico”. Destaca:  “A  poesia lírica grega  era, ao que parece, mais uma explosão violenta “dionisíaca” , do que mera expressão emocional”.

“Por isso, os filósofos e políticos da Antiguidade  preocuparam-se com os efeitos perigosos do individualismo literário; o acompanhamento musical era  tentativa para atenuar  a poesia, discipliná-la, “apolinizá-la”, conferir-lhe  significação ética. Esse objetrivo só foi realizado com Píndaro: e é ele o único lírico grego do qual se conservou obra extensa”.

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