Blog de Samuel Filho

CARTA ABERTA AO MINISTRO DA JUSTIÇA, JOSÉ EDUARDO CARDOZO

Posted on: 4 de dezembro de 2012


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Sofri  na pele perseguições desde que ingressei aos 20 anos  no jornal O DIA de Teresina,  Piauí,  ao fazer uma reportagem sobre uma quadrilha que  roubava carro em Fortaleza e emplacava de forma fraudulenta em Timon, na gestão do velho  Napoleão Guimarães. O secretário da prefeitura, José Leite, já falecido,  queria  me forçar a  engolir  um  exemplar do periódico, armado de um revólver 38.  Mas, minha mãe, que vai completar  agora em  dezembro 86 anos, me salvou, ao ser avisada  que ele estava me esperando  na esquina da rua em que morava.  Mãe Antoniusa, mulher de coragem, foi  à redação do jornal e comunicou ao  editor. Eu estava trabalhando como repórter naquele momento.

As informações  da matéria  foram dadas para mim pelo delegado da Polinter, Vital Araújo, grande policial piauiense, não sei  se está vivo. Fiquei  surpreso com a solidariedade tanto da equipe de O DIA  quanto da Rádio Pioneira, emissora católica, sob a administração do diretor Othevaldo Nascimento, no arcebispado de Dom Avelar Brandão  Vilela, de saudosa memória.

Assustado com tamanha solidariedade de jornalistas e radialistas como Carlos Said, Deoclécio Dantas , Pompílio santos, para citar testemunhas vivas  daquela época, o caso foi parar na subdelegacia da Polícia Federal. Lá, José Leite encontrava-se sentado e o subdelegado  me recebeu com muita cordialidade e propôs  uma trégua entre nós dois. Aceitei e, ao ir à Rádio Pioneira,  deparei-me com  Carlos Said. Este, apelidado de MAGO DE AÇO, em virtude de sua dedicação ao jornalismo esportivo e reportagem geral, 24 horas, perguntou-me:  “E aí”? Eu lhe respondi:  “Tou vindo da Polícia Federal  e pode suspender o noticiário sobre a ameaça de morte do Zé Leite”.

No jornal O DOMINICAL, de propriedade  da Arquidiocese de Teresina,  o então presidente do Sindicato dos Jornalistas do Piauí, Araújo Mesquita,  publicou uma nota longa também  solidarizando-se comigo.

Preso político pouco tempo depois,  imprensa censurada pela ditadura militar, a solidariedade restringiu-se  aos companheiros de prisão, de pessoas simpáticas à nossa luta, de Dom Avelar Brandão Vilela, através de um cartão, com timbre do arcebispado, infelizmente extraviado, entregue ao delegado do DOPS, capitão  Astrogildo Pereira, e que também  levara a rescisão do contrato de trabalho  de O DOMINICAL, juntamente com o dinheiro da indenização. Ali, no xadrez  da Polícia Militar, hoje centro de artesanato  na Praça Pedro  II em Teresina, meu torrão natal, doei  todo o dinheiro para ajudar  a pagar ao advogado de defesa, criminalista cearense  Pádua Barroso (testemunha o  ex-deputado federal do PT  do Piauí e sociólogo lotado no Ministério da Educação,  Antonio José Medeiros,  companheiro de prisão)

Desempregado e perseguido por agentes do Serviço Nacional de Informação,  o temível SNI,  como registra o escritor  Geraldo Borges, também preso comigo,  no seu livro de crônicas  PROVÍNCIA  SUBMERSA, decidi  deixar  a CIDADE VERDE, querida e  amada.

Perseguido entre  milhares de perseguidos,  sou  seguido diariamente no Rio de Janeiro por agentes  da polícia política,  trabalhador  e estudante universitário. Aprovado em concurso da Petrobras  em 1975,  não assumi  o cargo devido minha vida pregressa  de ex-preso político .

Encurralado, vim em 1976 para São Luís do Maranhão. Aqui, terra do meu pai,  trabalhei na imprensa desde 1977, em jornais como O ESTADO MARANHÃO  e  RÁDIO  EDUCADORA, da igreja católica. As perseguições continuam, há muitos anos, mas até agora nada encontraram  contra mim que justifique um mandado de prisão. Só perseguição assim como  a muitos oposicionistas  do Maranhão.

Vítima  de atentado  em 14 de novembro de 2010, nas imediações  do retorno do Olho D”Agua, às 22 horas, o  motorista escapou  milagrosamente e eu não me encontrava no interior do veículo, mas  sob a proteção de Deus.  O  atentado está registrado no facebook e no twitter.  A imprensa maranhense silenciou, apesar das redações terem recebido  a denúncia, através do meu blog.

Não tenho desde a cassação do ex-governador Jackson Lago  espaço na mídia local,  e o que tem saído na Rádio AM da TV MIRANTE, aos sábados, por  volta de 13 horas, pelo que estou informado (vou pedir à justiça o direito de  resposta), porque é mentira maquiavélica, para disfarçar um plano diabólico contra minha pessoa.

Obrigado pela atenção, Ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso,

Cordialmente,

Samuel Alves Farias  Filho

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