Blog de Samuel Filho

UM SONETO DE MÁRIO FAUSTINO

Posted on: 14 de julho de 2015


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O jornalista e poeta piauiense Mário Faustino, falecido ainda jovem em desastre aéreo, legou-nos uma obra já bastante estudada dentro da teoria literária tradicional. Fizemos a leitura do soneto ESTAVA LÁ  AQUILES,  QUE ABRAÇAVA (GRANDES SONETOS DA NOSSA LINGUA) selecionado e organizado por José Lino Grunewald).

Experimentalista orgânico,  o vate genial  fez testes  impressionantes, considerando-se os objetivos vanguardistas de renovação estética do seu tempo. Rcompeu, por exemplo, com  formas antigas  de versificação, com belos resultados em termos formais

Pretendemos, aqui, somente comentar o soneto sob a ótica da PNL-Programação Neurolinguística. A  PNL foi criada nos Estados Unidos nos anos 70 por Richard Bandler e John Grinder. Lá pelos idos  da década de 90, essa psicologia cognitiva  foi muito divulgada no Brasil  e, equivocadamente, rotulada como mais uma panacéia. Atualmente proliferam institutos de PNL em nosso país e no mundo. Há congressos nacionais e internacionais, anualmente.

Desculpem se estou me alongando sobre os esclarecimentos em torno da PNL, mas julguei-os necessários. Joseph O’Connor e John Seymour definiram a PNL, textualmente: “ A Programação Neurolinguística é a arte e a ciência da excelência. Ou seja, das qualidades pessoais. É arte porque cada pessoa imprime sua personalidade e seu estilo àquilo que faz, algo que jamais pode ser  apreendido através de palavras e técnicas . E é ciência porque utiliza um método e um processo para determinar os padrões  que as pessoas usaFm  para obter excepcionais resultados naquilo que fazem”.

Na análise que tenho feito de textos poéticos, segundo a PNL, utilizo conceitos como  mapa, território, cinestésico, audição, visão, ancoragem, ecologia, epistemogia, filtros perceptivos etc.

Mário Faustino quando escreveu  ESTAVA LÁ  AQUILES, QUE ABRAÇAVA  tinha como território a mitologia grega: “ Estava lá Aquiles, que abraçava/Enfim Heitor, secreto personagem…”  Ao elaborar a poesia, o estado interno dele revelou aspectos da realidade mitológica da Grécia de Zeus. E podemos até arriscar que Faustino bebeu nas fontes da ILIADA e da ODISSEIA, de Homero,   para extrair conhecimentos sobre a matéria.

Continua o soneto: “ Estava lá Saul, tendo por pajem /David,que ao som da cítara cantava; …”

O poeta sai do território da mitologia para  personagens bíblicos. O soneto mostra que o mapa de crenças e valores apresenta-se eclético, no bom sentido, porque universalista, baseando-se em duas culturas que marcaram fundamentalmente o destino histórico da humanidade. E não poderia ser diferente para um brasileiro.

Faustino canta com uma visualização que alcança horizontes longínquos: “…Era a cidade exata, aberta, clara: Estava lá o arcanjo incendiado/Sentado aos pés de quem desafiara;… Finalizando o soneto: “…E estava lá um deus crucificado/ Beijando uma vez mais o enforcado. O sentimento de perdão do cristianismo está evidente no último verso do poema.

Do ponto de vista da PNL, o soneto exibe os filtros perceptivos de Faustino, que captaram durante 34 anos de uma existência intelectualmente fecunda  Informações e eventos marcantes da cultura mitológico-cristã, alem de ter sido reformista da moderna poesia brasileira.

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