Blog de Samuel Filho

MINHA PÁTRIA NÃO É SÉRIA ( II )

Posted on: 21 de outubro de 2015


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Maré  cheia.  O mar  batia no cais furioso com suas espumas brancas e flutuantes. Alguns navios eram vistos ao longe.  Vinham  buscar minérios e soja para a China.  Antes da crise capitalista de 2008,  as  embarcações  enfileiravam-se aos montes como  brinquedos  na orla marítima. De binóculo, eu via os navios  bem perto de mim.

Pensei na história dessas águas  azuis e verdes vastas e infinitas.  Navios negreiros  singravam o oceano de Upaon-Açu  com uma carga de negros vindos  da Àfrica. Muitos  morriam nos porões  de doenças e maus tratos. Era uma mercadoria  preciosa,  usada como mão de  obra escrava. A escravidão  dos negros  é uma mazela  social inapagável.

Das  minhas  duas horas de lazer diárias, a praia é uma prazerosa curtição.  Viajo respirando  o vento, descarrego  as  ansiedades e tensões  de uma rotina  enclausurada  em casa devido  á deficiência física. Acompanhado  por  um  amigo que dirige para mim, uma pessoa legal ,eu e  Coriolano conversamos  sobre os corruptos daqui, uma velha cidade de mais de 400 anos, fundada pelos franceses e colonizada pelos portugueses.

Agora, esqueço o acompanhante,  limpo a vista olhando, ele também, as beldades e princesas que passam pelo calçadão , algumas delas com cachorrinhos peludos de estimação.  Velhos e coroas, atletas ou não caminham para exercitar o corpo  e  se livrar do  estresse.

– Coriolano, estou preocupado com o país…

– Seu  Samuca, só  tem mafioso. Aqui, eu conheço policial que ganha muita grana fazendo chantagem  com traficante de  cocaína. Meu pai foi delegado, já morreu , me contava toda a bandidagem  dentro da polícia. Parece que melhorou com o novo governo.

– Mas, estou   falando de corrupção na  politica nacional.

– A corrupção é um câncer, meu senhor.

– Senhor é Jesus Cristo, brinquei.

–  Que mulher boa, Seu Samuca.

– Chegou a nossa hora, eu disse, com a sensação de fim de festa.

Samuca,  dentro do carro, lembrava-se da última vez que conversou com  o guru Gegê, para quem  telefonava nos fins de semana.  O trânsito neste momento era  infernal.

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