Blog de Samuel Filho

TIMON, ANTIGA FLORES (I)

Posted on: 16 de julho de 2016


 

Estive terça-feira passada , 12, na minha amada Timon, antiga Flores, onde morei durante oito anos, entre a adolescência e a juventude. Meu torrão natal é Teresina, Piauí, que fica localizada em frente a Timon. As duas cidades se encaram historicamente há mais de um século, só que Timon funciona como cidade satélite de Teresina. Os habitantes de Teresina, antigamente, nutriam um preconceito tão grande contra Timon, a ponto de se dizer que “Flores do Mal” era uma cidade sem lei. Cansei de ouvir como jornalista e radialista, eu repórter do JORNAL O DIA, radialistas da Cidade Verde agredirem Timon, sistematicamente, igual a uma campanha difamatória que se faz entre políticos.

Hoje, as coisas mudaram, as relações entre as duas cidades são de amizades, graças ao ex-governador Epitácio Cafeteira que construiu a Ponte da Amizade, que serve para se acessar o centro de Teresina e vice versa. Lamentavelmente, o Rio Parnaíba secou na parte central, um crime ambientalista que precisa ser decantado em prosa e verso. Ainda bem que o VELHO MONGE, a poesia das cidades continua caudaloso lá pelas bandas do Poty Velho, transformado atualmente em ponto turístico da minha cidade, a feiticeira do amor, onde sempre vou pegar um vento quando vou a Teresina.

Comecei a fazer política em Timon junto com Nicolau Waquim Neto, depois de termos consolidado uma amizade da qual jamais me esquecerei. Nicolau, mais politizado do que eu àquela época, anos 60 pós-64, no auge da ditadura militar. Waquim fez minha cabeça para apoiar a candidatura de João Nepomuceno, estudante de Direito, já compenetrado como advogado, usando terno e gravata, apesar do calor de Timon. O chefe político da oposição timonense era o padre Delfim, cônego da Igreja Católica, e pároco, da minha Flores. Comíamos pastel, com cerveja, na casa do religioso politico que recebia as visitas de grandes personalidades da Igreja, como Dom Antônio Fragoso, o qual combatia o regime de exceção e era perseguido pelos agentes do Departamento de Ordem Política e Social – DOPS. Como bispo de Crateús, Ceará, Dom Fragoso só não foi preso pelo DOPS do Rio de Janeiro, porque oficiais do Batalhão do Exército levantaram-se solidários ao bispo, coisa rara para a época dominada pelas Forças Armadas do Brasil.

Padre Delfim era o articulador político da candidatura de João Nepomuceno à prefeitura de Timon, disputando com Napoleão Guimarães já prefeito em primeiro mandato, mas a violência eleitoral inexistia entre os timonenses, atualmente a violência cresceu, a partir do mandato de Chico Leitoa, tendo como vice-prefeito o Dr. Marcos Igreja. O secretário da Fazenda de Chico Leitoa, colecionador de armas, assassinou o radialista Jorge Vieira, que criticava a administração do prefeito, sendo morto quando chegava em casa. Incrível, como a justiça funcionava no Maranhão, nenhum deles foi preso até hoje, nem Chico Leitoa, nem o secretário da Fazenda, que deu as armas para os pistoleiros executarem Jorge Vieira, um mártir da liberdade de expressão. Merece uma estátua no centro de Timon, onde ficam a praça e a Igreja Católica. Nesse mesmo local, deveriam ser construídas outras estátuas para homenagear os heróis timonenses como o jornalista e poeta, Odilo Costa Filho, intelectual e expoente do jornalismo e da literatura do país e padre Delfim, entre outros.

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