Blog de Samuel Filho

CRISE ENTRE OS PODERES

Posted on: 25 de novembro de 2016


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Não vemos no horizonte politico e econômico sinais de superação da crise em que estamos mergulhados há alguns anos, acirrada com a disputa pelo poder que terminou com o impeachment da presidente Dilma Rousseff, reeleita pelo voto direto em 2014. Os erros dos mandatos do governo dela são insofismáveis. Havia uma expectativa de que Michael Temer, eleito presidente pelo Congresso Nacional, com a derrubada de Dilma, o Brasil voltaria a crescer e a tempestade politica entraria numa calmaria.

Lamentavelmente, o cenário não é otimista. Continuamos num atoleiro tão grave quanto antes, e, talvez, pior, se levarmos em conta que as relações entre governo e congresso, de um lado, e de outro, o poder judiciário estão se agravando dia a dia. Os fatos são notórios e preocupantes. O governo e o legislativo trabalham em clima de parceria e colaboração. As matérias de interesse do executivo são aprovadas com celeridade por deputados e senadores, como por exemplo, a PEC que limita os gastos públicos.

O Congresso Nacional vem mostrando que é mesmo fisiológico, legislando em causa própria, sem postura ética e respeito ao povo que elegeu os seus membros. Querem anistiar o famigerado caixa dois em que está envolvida a maioria dos parlamentares. Isso vem provocando um atrito entre os investigadores da Lava Jato e os legisladores. Se ocorrer é uma afronta ao judiciário e coloca por terra todo esforço para se moralizar a vida pública do país. Anistiar um crime eleitoral gravíssimo como o caixa dois é jogar no lixo a ética e toda esperança de que a corrupção seria combatida com firmeza. A lei anticorrupção está paralisada na Câmara Federal, em consequência de desentendimentos e interesses contrariados dos atores das instituições políticas e jurídicas. Para completar a sena cinzenta e sombria, o Ministro da Cultura, Marcelo Calero, exonerou-se do cargo, alegando pressões de Michel Temer e de mais membros do núcleo duro do governo, como Geddel Vieira e Eliseu Padilha, sendo que Geddel pretendia um tráfego de influência junto ao Ministério da Cultura para obter favores em um apartamento localizado em Salvador.

Calero já depôs na Polícia Federal e apresentou gravação que prova as pressões que sofrera dos atuais mandatários do Palácio do Planalto. Eis o mar de lama que começa a invadir Temer e sua base aliada. Em tão pouco tempo, estamos numa crise política de um novo governo, que não apresentou ainda resultados positivos na área econômica, com altos índices de desempregados e o próprio ministro da fazenda, Henrique Meireles, não tem se mostrado confiante na recuperação da economia a médio prazo.

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