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O E-BOOK  DE SAMUEL FILHO PUBLICA HOJE O NONO CAPÍTULO COM UM POEMA SOBRE O MAR E O AMOR

Sem título

Camões e Homero cantaram o mar

com o verbo amar como nunca dantes

- eu apenas o sinto, vejo e ouço

a imensidão do oceano

para mim o mar é começo e fim

da história da criatura

que frustrou o criador

Mar és agora a fantasia

dos meus dias da sexagésima idade

e remédio de um tédio roedor

Maré alta

- euforia

Maré baixa

- depressão

Atlântico do meu coração

Mar tem sístole e diástole


O E-BOOK ‘O MAR DE UPAON-AÇU’ É UMA COLETÂNEA DE CRÔNICAS SOBRE AS PRAIAS DE SÃO LUÍS ESCRITAS POR SAMUEL FILHO EM HOMENAGEM AOS  4oo ANOS DA CAPITAL  MARANHENSE.

 

Sem título

 

 

De ser humano virei um submarino. O animal tecnológico parecia um peixe branco. Singrava as águas do mar com a velocidade de um supersônico. Dentro de pouco tempo ancorei num porto sem passageiros.

Eu, agora submarino, estava sozinho. O lugar da tripulação vago. Vi o assento do piloto e a direção. Sendo o próprio submarino, senti pânico de acontecer uma tragédia comigo

Durante a viagem, pensei, como submarino, que tinham me destinado a alguma missão de guerra, no Oriente Médio. Poderia ser destruído pelo inimigo ou vice-versa. Mas, nada via ao meu redor. Apenas boiava nas águas do oceano, ora azuis, ora verdes.

Sei que atravessei países e continentes em minutos. Interessante que tanto no Atlântico quanto no Pacífico reinava uma paz de convento.

Encarnado num submarino, não me lembro de ter visto uma camada de pré-sal no mar brasileiro. Fiquei intrigado. Como se explica que um submarino de última geração não tenha detectado alguma camada de pré-sal no Rio de Janeiro, São Paulo ou no Espírito Santo?

Aí me senti estranho. Sou pessoa humana ou um submarino construído pelas minhas próprias mãos? Tenho direito a royalties e patente.


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O poeta e músico ZéMaria  Medeiros  apresenta, amanhã, 13,  no Teatro  da Cidade,   às 20 horas,  São Luís do Maranhão ,  o show ‘LÂMINA’  em plena COPA  DOS PROTESTOS.  Nem todo poeta é músico, mas todo músico é poeta.  ZéMaria Medeiros encarna a poesia e a música em matéria sólida.

É autor de três livros de poesia “Em Par Ímpar”, “O Fruto da Ira É Doce” e “Café do Tempo”.  O primeiro tem uma dimensão existencialista, mas com ranço marxista, sem paradoxo vulgar.    “Eis o inferno\onde nada é eterno…” É a sensibilidade do poeta chocado com o cotidiano trágico da Praia Grande, no templo circense.

“O Fruto da Ira É Doce”, segunda obra, a poética de ZéMaria Medeiros  liberta-se de dogmas e tabus e mergulha de corpo inteiro  nas águas da globalização  dos rios Anil e Bacanga. Vide o poema “Globalização”.  A estética cresce caudalosamente.

“Café do Tempo” é um livro em que ZéMaria Medeiros revela o seu talento de poeta  em Barra do Corda e Bacabal. Sua biografia mostra as  inquietações caracterizadas por uma personalidade multifacetada. O artista afirmou-se, depois de optar pela música e torna-se um saxofonista de  notoriedade no cenário na música popular maranhense.


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Não se sabe a que horas está marcado o enterro  político  do senador, suplente do pai, Edinho Loão, amador em política,  empresário  de sucesso, graças ao tráfico de influência do ministro  e ex-governador do Maranhão, Edson Lobão.

Há um clima de mal estar nas hostes do PMDB maranhense, depois que a mídia publicou que Edinho fora condenado a um ano e seis meses de prisão por crime contra o setor de telecomunicações. Para evitar uma condenação e ganhar uma prescrição do crime, o pai fê-lo senador e é hoje ministro das Minas e Energia. 

O esquema da corrupção  de colarinho branco funcionou impecavelmente. Infelizmente, o impacto do escândalo caiu como uma  bomba devastadora sobre o eleitorado e a pré-candidatura de  lobinho vira um ferro velho retorcido.

O PMDB fracassara na tentativa de emplacar o secretário de infraestrutura, Luís Fernando, pré-candidato a governador do Maranhão. E, agora,  tem a má sorte de escolher  como alternativa  um empresário  sem experiência,  cuja biografia está pintada de mazelas irreversíveis. 

A  bandeira  contra a corrupção é de porte nacional. É até crime hediondo.  A indignação popular execra esse malfeito, mesmo que políticos poderosos ironizem por serem premiados com a prescrição de seus crimes. Que o diga Collor de Mello, um caso mais recente que enfurece a nação.


 

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As irmãs capuchinhas de São Luís do Maranhão realizam uma obra de amor à saúde do povo carente, com o funcionamento de postos de saúde em bairros  periféricos, onde  moram em casas de propriedade da irmandade.

É uma ação voluntária,   sem  propaganda milionária nos meios de comunicação, visível apenas pela  comunidade e ignorada pelos poderes públicos, que poderiam firmar parcerias com a entidade religiosa mantenedora da  assistência à saúde.

Os postos  das  freiras cobram apenas  dois reais por um curativo,  consultas  médicas, nebulização, aplicação de injeção etc. Tudo isso sem burocracia ou filas  impostas nos postos e hospitais públicos.

O pouco com Deus é muito,  segundo o adágio popular. Com poucos recursos,  as religiosas oferecem um  serviço  de  saúde de boa qualidade, com instalações  físicas higiênicas e equipamentos que fazem inveja  aos   postos  e hospitais do SUS.

Dinheiro para a saúde no Brasil não  falta, pois conta com 10 por cento do orçamento da União, uma verba que daria para acabar com a tragédia  das filas, superlotação dos hospitais e a demora para se fazer  uma consulta, depois  de muito caminhar para ser atendido.

Mas,  a má gestão e a corrupção impedem que a saúde seja  proporcionada à população dentro de padrões humanitários e dignos. O exemplo das irmãs capuchinhas  do Maranhão deveria ser seguido pelos  gestores públicos.


Publicado originalmente em Blog de Samuel Filho:

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CANTO DE LIBERDADE NA REPÚBLICA TROPICAL’  NARRA EM VERSO E PROSA OS HORRORES PRATICADOS PELA DITADURA MILITAR NO BRASIL, EM PARTICULAR EM TERESINA, PIAUÍ:

“Quem não se lembra dos anos 60, 70?
Será sempre uma lembrança maldita
de um tempo sem sol, sem vida,
uma noite de pesadelos na república tropical.
Não se podia dizer coisas tão simples como:

“ABAIXO A DITADURA MILITAR”
“ABAIXO Oanto de IMPERIALISMO”
“QUEREMOS LIBERDADE E JUSTIÇA”

Jovens estudantes eram presos, seqüestrados,
torturados e assassinados,
porque protestavam contra a opressão
política, econômica e social

A juventude resistiu heróica
com seu ideal de liberdade

“A violência gera violência”.
Assim aconteceu neste País:
expulsam o povo das ruas
como se tira da árvore a raiz
dos centros urbanos ao Araguaia,
espalhou-se em todas as frentes
a resistência dos combatentes

parece que foi ontem: 45 anos atrás.
Nunca vi passado tão presente no futuro
ah, naquela época, a cadeia…

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CANTO DE LIBERDADE NA REPÚBLICA TROPICAL’  NARRA EM VERSO E PROSA OS HORRORES PRATICADOS PELA DITADURA MILITAR NO BRASIL, EM PARTICULAR EM TERESINA, PIAUÍ:

“Quem não se lembra dos anos 60, 70?
Será sempre uma lembrança maldita
de um tempo sem sol, sem vida,
uma noite de pesadelos na república tropical.
Não se podia dizer coisas tão simples como:

“ABAIXO A DITADURA MILITAR”
“ABAIXO Oanto de IMPERIALISMO”
“QUEREMOS LIBERDADE E JUSTIÇA”

Jovens estudantes eram presos, seqüestrados,
torturados e assassinados,
porque protestavam contra a opressão
política, econômica e social

A juventude resistiu heróica
com seu ideal de liberdade

“A violência gera violência”.
Assim aconteceu neste País:
expulsam o povo das ruas
como se tira da árvore a raiz
dos centros urbanos ao Araguaia,
espalhou-se em todas as frentes
a resistência dos combatentes

parece que foi ontem: 45 anos atrás.
Nunca vi passado tão presente no futuro
ah, naquela época, a cadeia e a morte
eram o destino do homem digno e audaz.

Em Teresina, Piauí, policiais armados
invadiram casas, prenderam estudantes
interrogaram e até torturaram e  processaram.

Ali, no quartel da Polícia Militar, na Praça Pedro II, num xadrez semelhante a uma grande jaula para animais, dia e noite eram a mesma coisa. O tempo transcorria monótono e angustiante, não tínhamos pátria a quem recorrer, mas, com a fé no ideal da liberdade, construímos dentro daquelas quatro paredes um mundo de paciência e amor ao povo, transformamos sofrimento em razão de viver.

-Geraldo nos ensinava sublimar o sofrimento
e extrair de nós próprios as forças da resistência.

-Benoni nos transmitia alegria, comunicação e esperança

-Antonio José fazia sérias reflexões.

-Eu encarava a prisão como uma grande escola da vida

 

 

O corneteiro tocava a hora da alvorada, do rancho, do silêncio, mostrando a dureza da vida no quartel. Conhecemos gente sofrida, como o “Escurinho”, apelido de um soldado da PM, que matou, bêbado, uma mulher em Campo Maior, porque não quis amá-lo por uma noite. Dividimos como “Escurinho” o nosso resto de esperança.

No xadrez, somos reduzidos à nulidade.
A mente deforma-se e até a vontade
quebra-se em pedaços.
O coração sangra tristeza,
o tempo é uma estátua,
destituída de arte e beleza

.
Na prisão, o corpo pede movimento,
mas só temos inércia e o cansaço do nada.
A solidão do preso é diferente de quem
está na multidão, sem ninguém.
O preso tem apenas os sentimentos
como fuga para o seu desespero.

Duas vezes na semana, tínhamos banho de sol, pela manhã, e visita à tarde. O grande portão de ferro abria-se e os soldados que nos escoltavam mal compreendiam porque estávamos encarcerados. Tínhamos notícias da família e dos amigos. Numa dessas visitas, o oficial de dia, numa crise de paranóia, obrigou-nos a tirar as roupas, ficamos nus, para mostrar a ele que não tínhamos recebido qualquer mensagem de outros companheiros que continuavam a luta, lá fora.

Prisões e assassinatos eram ocorrência diárias. Os jornais nada publicavam. A imprensa estava censurada. Nos jornais lia-se tudo, menos a verdade. Mentia-se e mistificava-se muito, para que o povo não suspeitasse que existia uma guerra declarada pela ditadura contra a juventude revolucionária. Ao povo davam futebol para esquecer a fome e a miséria.; Forjaram a falsa imagem de um País tranqüilo, um oásis dentro de um mundo destroçado pela guerra.

Numa manhã de junho, fomos colocados
no banco dos réus em terras de Iracema.
Estava montada a farsa dos soldados
só um civil e os outros militares
constituíam o corpo de jurados
não poderíamos escapar da condenação.
depois, entendemos que a justiça,
numa sociedade de classes é  uma mistificação.

Agora que as lembranças correm soltas,
iguais a águas que estavam represadas, penso
porque contestei a ditadura militar.

Com os meus olhos espantados de menino, vi a miséria absoluta: homens e mulheres tuberculosos e leprosos. O rio Parnaíba é uma fonte de sobrevivência. Dele, aquela gente tira o peixe. O rio Parnaíba é mais que uma bela paisagem da natureza ao por do sol ou em noites enluaradas. Ele abastece nossas necessidades. Os canoeiros de mãos calejadas, pele tostada, peito ferido em carne viva, fazendo a travessia do Rio Parnaíba, levando passageiros Timon-Teresina-Timon. Os pescadores remando de um lado para outro, buscando o peixe, que pula n’água, fugindo da prisão da rede.

Parnaíba levo comigo  as lições
que aprendi nos teus ombros
de que devemos resistir sem ilusões
os golpes dos  homens, do tempo e do vento.
Guardo ainda na retina
a beleza de tuas águas brancas e cristalinas
cobrindo areias finas.

Não me esqueci das velhas lendas
do cabeça-de-cuia e da mãe-d’água,
assombração e guia dos pescadores.
Parnaíba, a tua correnteza revela os sofrimentos e a certeza
de que essas águas caudalosas
são a rebeldia do povo injustiçado.
Parnaíba, não és apenas “velho monge”
meditando e orando ao longe
de ti  uma saudade secreta
manifesta-se em mim, sacudindo forte
o coração do poeta.

Lamarca
Marighela
Joaquim Câmara
Osvaldão
Rui Frazão
outros e mais outros,
para os fascistas, eles foram malfeitores
que queriam escravizar a Pátria,
destruir os valores da sociedade burguesa,
morreram como miseráveis,
fuzilados de balas.
Na verdade, eram uma flor pura
a esperança do povo
a chama da revolução
a voz dos explorados
Sobre os seus cadáveres colocaram
uma pá de cal, para que nunca mais fossem lembrados

A História não se alia com a mentira
cedo ou tarde ela restabelece a verdade
e os heróis emergem da sepultura
mais vivos que os vivos mortos que os mataram
Dentro de cada contra-revolução
há sempre em gestação um revolução.”


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