Blog de Samuel Filho

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Casa Do Maranhão destaca-se entre outros casarões e mirantes da Praia Grande, São Luís do Maranhão


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 Rua Portugal, na Praia Grande, São Luís do Maranhão, patrimônio da humanidade


 

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Neto da beata Maria Pereira Freire, o cristianismo é minha religião da primeira infância, graças a Jesus. A foto mostra a minha corte divina doméstica e universal.

 


 

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Uma esquina bela, da Praia Grande, que faz parte do centro histórico de São Luís, onde comerciantes, artistas e músicos alegram a galera. Da esquina,  podemos ver a  Companhia Circense,  na qual o  saxofonista do show A VI DA É UMA FESTA ,  ZéMaria Medeiros e outros artistas  fazem ensaios


      Feliz dia dos Pais !

Queria te desejar um Feliz dia dos Pais e que o senhor passe mais uns 50 dias desses comigo. Obrigado por ter me feito que eu sou e por acreditar SEMPRE em mim ! Eu te amo mesmo a gente brigando, mas eu te amo porque você  é meu Pai o homem que me ensinou tudo que eu sei e se não fosse você eu não estaria aonde eu estou e sou hoje. Obrigada Pai, eu te amo cara de paca !

 

Raquel de Moura Farias


A rotina do hospital não saía da cabeça de Antonio de Pádua. Lembrou-se de uma enfermeira que na hora da despedida desejou-lhe felicidade, e que nunca mais voltasse a necessitar de se internar   em hospital.

A primeira visita que recebeu foi de sua mãe, dona Antonia, que entrou falando alto:

“Eu vim rezar um terço que prometi a São Francisco. Ainda tem a promessa a ser paga em Canindé. Todas as noites eu rezava para São Francisco te dar saúde”.

“Ele agora está rezando, também”, disse dona Francisca.

“Graças a Deus”, falou dona Antonia.

A mãe de Antonio de Pádua acendeu uma vela ,  que colocou em cima da mesa da copa, improvisada em oratório. Tirou de sua bolsa um rosário e um livro de orações. Ficou de pé e iniciou a reza. Antonio de Pádua ouviu sentado  a mãe e a mulher rezarem.

Dona Antonia encerrou a oração e saiu reclamando dos ônibus ,  que demoravam muito. Prometeu voltar outro dia. Saiu falando alto

Antonio de Pádua sentou-se no terraço. Censurou-se por não ter rezado em voz alta com sua mãe e dona Francisca. Já estava relaxando as orações que fizera no hospital  à  sua maneira. Pensou no compromisso que assumira consigo próprio de ser um servo de Deus. E meditou:

“Exista ou não Deus, eu tenho que acreditar Nele, porque estou marcado pelo cristianismo, assim como se marca a ferro e fogo um animal. O sofrimento e o medo da morte me revelaram isso”.

Respirou profundamente. Olhou a cicatriz. E se convenceu de que o ser humano, troglodita ou civilizado, sempre vai necessitar de uma metafísica (DEUS?) como âncora, fuga e fantasia para encarar os mistérios e absurdos da vida.


O almoço estava apetitoso (carne assada, salada, sopa, arroz, feijão e frutas). Juarez, que sempre tinha uma pilhéria a dizer, estava sério e estranho.

“Que foi gatão?” Antonio de Pádua perguntou com irreverência.

“O médico me deu alta”, disse Juarez com ar de tristeza.

“Vou perder um assessor para assuntos de xixi”, debochou Antonio de Pádua.

Juarez sorriu à força, abrindo demais os olhos. Ele foi a uma das janelas e contemplou o movimento de pessoas lá embaixo,  que entravam e saíam do hospital. Juarez sentiu saudades daquele ambiente. Durante o tempo em que peregrinou por diversos hospitais,  conheceu  gente amiga. Mais tarde um médico residente deu-lhe a guia de alta e uma receita para comprar remédios.

“Gordinho, até outra vez”, falou Juarez vestido em uma roupa nova,  especialmente guardada para usar quando tivesse alta. Juarez apertou a mão de outros pacientes que ficavam.

“Obrigado pelos favores, felicidade”, disse Antonio de Pádua, despedindo-se de Juarez.

Com o gorro branco e um avental, a encarregada de distribuir as refeições ia de porta em porta empurrando o carro de bandejões, que tinha um rangido bem característico que, de longe, despertava a atenção do paciente. Rápido, ela tratava os doentes com carinho:

“Seu Antonio tá para ir embora. O Juarez já foi. Só falta o senhor”.

“Espero que sim”, respondeu Antonio de Pádua , recebendo o bandejão.

“O senhor mora aqui ou no interior?”

“Aqui”.

O apetite de Antonio de Pádua aumentava. Entretanto, começava a enjoar a comida. O cardápio variava pouco. Ele fazia a digestão caminhando pela enfermaria.

À  tarde caía. Nuvens pareciam correr no espaço azul. Sentado, na janela, Antonio de Pádua admirava o espetáculo do universo. A sua perna direita ainda o incomodava em consequência de um inchaço provocado pelo longo tempo imobilizado na cama, segundo explicou o doutor Valter, que diagnosticou como sendo um edema  pós-operatório.

Antonio de Pádua dava sinais de estar se recuperando. O doutor Valter deixou de visitá-lo. Raramente ia ao seu leito. Dormia bem. O residente Batalha  falou a Antonio de Pádua que estava de alta.

“Você está dando muita despesa. Te  manda”, brincou Batalha. “Daqui a uma semana você retorna para tirar os pontos. Cuidado com o diabetes e se consulte com um endocrinologista”.

Antonio de Pádua fitou a sua barriga costurada. Tremeu ao pensar que ia voltar. O umbigo estava torto e uma enorme cicatriz o acompanharia pelo resto da vida.

No taxi, a caminho de casa, Antonio de Pádua compreendeu porque Juarez fora embora sem entusiasmo. Ele acostumara-se, como Juarez, ao cotidiano de dor e de sofrimento do hospital. Sentado no banco de trás, ao lado de dona Francisca, desejou saúde a todos os doentes do mundo. As paisagens da cidade atraíram a sua atenção. Por sorte, estava revendo ruas, avenidas e pontes da metrópole. O dia-a-dia da cidade prosseguia indiferente às dores dos pacientes que sofriam nos hospitais.

A casa estava diferente aos olhos de Antonio de Pádua. Emocionado, cumprimentou os gatinhos que não se animaram ao vê-lo, como se jamais o tivessem visto e brincado com ele. Sentou-se na cama devagar, tirou a camisa para deixar a cicatriz mais livre. Deitou-se e dormiu pesado de emoções.

Dona Francisca providenciou a alimentação de Antonio de Pádua: carne moída com verdura. A cada barulho da sua filha  Cristina,ela repreendia:

“Cristina, fala baixo para não acordar o Antonio. Te comporta  menina”.

“O quê?” Indagava a menina.

“Tu és surda menina? O Antonio está operado e precisa de silêncio”, explicava dona Francisca.

“Sim, senhora”.


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