Blog de Samuel Filho

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penitenciario-de-pedrinhas-maranhao-original

Um dia, pedrinhas, serás museu
quando nos libertarmos da política romana de hoje
para a sociedade regulada, o reino da sociedade regulada
sem classes, sem poderes, sem exploração
o inferno de hoje que és será
apenas memória macabra.


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jamais nasci para ser Pilatos
nem procurador da miséria alheia
sou apenas peregrino da poesia
que irradia altaneira
da ilha ludovicense
para o mundo inteiro


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A cinestesia de Nauro Machado é particularmente fenomenal como podemos constatar pela leitura da sua extensa obra poética. Transcrevemos, aqui, uma estrofe da composição em sextilha “ Angústia Larvada no Tempo ” do livro O EXERCÍCIO DO  CAOS (1961)

‘‘… e indissolúvel morte asfixia o corpo

( e a mãe justifica o filho no ventre ),

eu, por mim não escolhido ou aceito; eu, sóbrio

fruto por onde cai o auxílio próprio

de mim, do meu medo , enorme, de o fruto,

real, ser o ser no que há de vir

ou que não virá na aceitação : paz…”

Paralelamente observamos o domínio técnico do autor na arte da poesia. O poema acima é um exemplo, entre muitos outros, da fascinante  capacidade de construir versos livres. Mais adiante, vamos salientar, a qualidade dele de como um bailarino clássico  que transita com  extrema maestria entre as formas antigas e modernas de versejar.

Em DO FRUSTADO ÓRFICO (1963), pinçamos está perola :

“ Ó Paz

dos dentes :

que pás

ardentes ”

SEGUNDA COMUNHÃO (1964) revela o dom altamente cinestésico de Nauro Machado. No poema “ Encargo ” nos deleitamos :

“ Enterrei os cadáveres das meninas

com mãos pelo pranto decepadas.

Enterrei os seios das meninas, como limões

que guardassem os cavalos da carne ”

Assim, navegamos no oceano ignoto da arte poética desse vate imortal, que será justamente homenageado pelos séculos dos séculos. Para dissecar tanta riqueza genial do maior herdeiro da terra dos poetas, que é o Maranhão, seria necessário examinar em grupo por muito tempo uma obra que surpreende o mundo, sem medo de estar exagerando.

OURO NOTURO (1965), ZOOLOGIA DA ALMA ( 1966), NECESSIDADE DO DIVINO (1967 ), NOITE AMBULATÓRIA ( 1969) , DO ETERNO INDEFERIDO (1971), DÉCIMO DIVISOR COMUM ( 1972 ), TESTAMENTO PROVINCIAL ( 1973 ), A VIGÉSIMA JAULA ( 1974), OS PARREIRAIS DE DEUS (1975), OS ÓRGÃOS APOCALÍPTICOS ( 1976 ), ANTIBIÓTICA NOMENCLATURA DO INFERNO (1977), MASMORRA DIDÁTICA (1979), AS ÓRBITAS DA ÁGUA ( 1980), O CALCANHAR DO HUMANO (1981),  O CAVALO DE TRÓIA ( 1982) , O SIGNO DAS TETAS ( 1984), APICERUM DA CLAUSURA ( 1985) , OPUS DA AGONIA ( 1986) , O ANAFILÁTICO DESPERO DA ESPERANÇA ( 1987) , A ROSA BLINDADA (1989), MAR ABISTÊNIO (1991) , LAMPARINA DA AURORA ( 1992), FUNIL DO SER ( CANÇÕES MINIMAS) (1995),  A ATRAVESSIA DO RÓDANO (1997) , TÚNICA DE ECOS (1999) , O ALAÚDE AMBÍGUO ( 2002), A ROCHA E A ROSCA (2003) , PÃO MALIGNO COM MIOLO DE ROSAS ( 2004).  Estes livros contêm o mesmo nível estético e cinestésico do oficio de profissão de fé que  Nauro Machado elegeu como causa maior de sua existência. Segundo o cineasta Frederico Machado, filho de Nauro  e da escritora Alerte da Cruz  Machado, o poeta deixou inéditos outros livros, mas a coluna vertebral da poesia desse “mestre da província ”como disse o escritor Josué Montello, permanece com a mesma essência estético – filosófica.


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Nauro  Machado é um poeta profundamente cinestésico, conforme mostram os poemas desde a sua estreia em 1958 com o livro CAMPO SEM BASE. Vejamos  “Metamorfose Inicial”, que é o manifesto de um canto que  silenciou  para sempre no dia 28 de novembro de 2015:

“Me crio em nova forma. Não
a que em quartos, corpos
gastos sofrem, tão sós,
pastos vis de um mútuo asco
solitário. Bem os sei também
distendidos, parto enfim
da morte, não a própria
(dificílima),
mas suja e dividida
com outrem. Me crio em nova
forma. Uma, incessante, dia meu, –
árduo, que sobre o piso a
comida de ontem jaz. Sabe a
tarde, loucura, carne ou
legume? No banho seu odor
me penetra — sabre. Foi e
já não é, coube e já não
cabe: cai, ressequida, lúcido
ódio! Me crio em nova
forma. Não esta, mas outra
maior, dia meu, mais árduo,
onde meus ócios secam,
apodrecidos, no tédio
das palavras.”

É também o anúncio de uma nova estética no final dos anos 50, quando ouvíamos ainda os ecos da ruptura da Semana de Arte Moderna de 1922. E Nauro Machado é uma ruptura dentro da ruptura, solitário profeta no mundo de uma nova linguagem que ultrapassou os modismos modernistas. Ele manteve uma unidade formal de extraordinária coerência, produto de uma criatividade radical, que não pode ser dissecada através de rotulações generalistas. Só a metafísica dialética ousa penetrar-lhe as entranhas.


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Fizemos uma copidescagem necessária do primeiro capítulo de introdução à poesia de Nauro Machado. Os manuais de jornalismo nos ensinam que não existe texto definitivo. Com o escritor ocorre algo parecido à rotina das redações. Estamos sempre aperfeiçoando a construção formal.

Superamos a questão da busca de fontes de pesquisa com a disponibilização na internet de abundantes informações. Encontramos o livro de Hildeberto Barbosa Filho, uma seleção dos melhores poemas de Nauro Machado, lançada em 2005, que cobre grande parte da produção poética. Acontece que o escritor produziu nos ultimo dez anos títulos relevantes numerosos, entre publicados e inéditos, conforme constatamos na enciclopédia Wikipédia.

Vamos tentar simplificar a necessidade de nos apoiar em todas as opiniões que temos agora à disposição. Aliás, não seria humanamente possível fazê-lo solitariamente. Só uma equipe de especialistas em poesia pode fazer esse enfrentamento analítico de uma obra gigantesca.

Por isso, optamos como instrumento de análise conceitos de uma tecnologia de comunicação criada na década de 70 e intitulada Programação Neurolinguística (PNL), fundada por Richard Bandler, bacharel em Filosofia e Psicologia pela Universidade da Califórnia, e John Grinder, linguista. Trata-se duma metodologia que estuda a experiência subjetiva dos seres humanos.

Pelo que sabemos e acompanhamos desde que surgiu no Brasil, a PNL jamais foi utilizada como método de análise literária. Já publicamos, em 2007, trabalhos fundamentados na PNL, como o salmo 23, livro do Velho Testamento. E, agora, decidimos cumprir uma velha promessa feita a Nauro Machado em 2008, uma forma de homenageá-lo in memoriam.

 


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Temos algumas dificuldades teóricas para escrever sobre a poesia de Nauro Machado, falecido recentemente. A primeira delas é a volumosa obra do poeta, que lemos desde que chegamos em 1976 em São Luís do Maranhão,  egresso do Rio do Janeiro,  onde trabalhei como jornalista e estudante de Direito, além de ex – preso político anistiado há 10 anos atrás.

A segunda relaciona-se com as ferramentas conceituais que uma análise razoável exige. Há aplicativos teóricos tradicionais e modernos para se interpretar uma escritura tecnicamente sofisticada, elaborada durante aproximadamente seis décadas de exercício de um caos poético mais organizado que conheci até hoje. O outro percalço é ter que ler novamente o vate do mundo que ele é, embora a mídia poderosa internacional e especializada não dê a Nauro Machado o tratamento que merece.

Ainda estou empreendendo uma busca entre meus livros de uma antologia que sintetize a vastidão de uma produção literária notável, rica e opulenta metaforicamente. Por isso, tenho que tomar muito  cuidado para não cair numa hermenêutica imediatista e superficial.

Mas, a titulo de introdução,  podemos salientar que Nauro Machado é um poeta extremamente original, em comparação com  outros  de gerações passadas e contemporâneas.  É difícil demonstrar a superioridade estética desse  monumental legado poético. Nesses tempos de internet, porém, não é impossível provar ao mundo que na ilha universal de São Luís do Maranhão nasceu e faleceu aos 80 anos de idade um ícone da poesia, sem temor de exagerar ridiculamente.

Fico, pois, dependente de ter em mãos o material produzido por ele com  assombrosa genialidade. Estou convicto de que fora do Maranhão despertarei controvérsias, porque estamos mal acostumados a importar paradigmas estéticos de grandes centros culturais, mesmo com a derrubada dos muros provincianos desencadeada pela era digital, que  impôs a maior e a última revolução na comunicação da história da humanidade.

 


 

-Companheiro, você já observou que o Eduardo Cunha explica todas as acusações contra ele como sendo cortina de fumaça?

– É mesmo, eu ainda não entendi porque ele ainda não está preso pela Lava Jato, com tantos indícios e até provas de corrupção.

– É estranho que  ainda esteja solto e, agora, trama até contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que invalidou o  processo de  impeachment da presidente Dilma .

– Aliás,  o procurador Rodrigo Janor já pediu o afastamento dele do cargo de Presidente da Câmara dos Deputados, mas o ministro Teori deixou para fevereiro a decisão.

– Eu acho que ele não vai escapar da cadeia. Agora mesmo, descobriram mais um caso de propina que Eduardo Cunha recebera por conta das Olimpíadas de 2016.

– Eduardo Cunha não mostra qualquer abalo emocional com tantas acusações de corrupção.

-Meu caro, o deputado Jarbas Vasconcelos tem razão quando disse que Eduardo Cunha é um psicopata.

– Também acho. Os olhos dele esbugalhados e a frieza como enfrenta as denúncias levam a crer que seja mesmo um transtornado mental.

 

-Faz algum tempo que ele disse que ele não vai cair sozinho. E já começou a acusar até o vice  Michael Temer, presidente do PMDB, do seu próprio partido.

– Se esse homem escapar da prisão, eu não entendo mais nada , a não ser que tenha muita coisa a dizer sobre as autoridade da justiça.

– Por trás dele o Ministro Gilmar Mendes deve estar orientando o bandidão da política Brasileira.


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