Blog de Samuel Filho

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Nascimento Moraes

Combatente ambientalista de primeira hora, o poeta Nascimento Morais Filho legou-nos uma grande lição de idealismo pela causa ecológica do Maranhão e do país. No governo João Castelo, instalou-se na ilha de São Luís do Maranhão, início dos anos 80, a multinacional do alumínio ALUMATA, como gostava de chamar a Alcoa, que depois mudou o nome para Alumar. Assessorado tecnicamente pelo cientista Raul Ximenes, cassado como professor da USP pela ditadura militar de 1964, Nascimento Morais Filho funda o Comitê de Defesa da Ilha de São Luís e mobiliza a sociedade em pleno regime autoritário contra a besta fera internacional.

O Comitê mostrou, durante mais de 20 anos, os impactos nocivos da fábrica numa ilha, como a lama vermelha que penetra nos lençóis freáticos do golfão maranhense; o  fluoreto que polui a fauna e a flora; e as concessões fiscais absurdas com que o governo brinda a Alumata. E quais foram os benefícios? Somente a população teve prejuízos ambientais.

Como era previsto, a Alumata começaria a desacelerar suas atividades trinta anos depois. E, agora, demite em massa os metalúrgicos e é a principal responsável pela escassez  de água potável em uma cidade carente do abastecimento, dadas as condições geográficas de uma ilha.

A memória de Nascimento Morais Filho merece ser enaltecida para sempre. Sua obra poética e ambiental o coloca no panteon da glória maranhense. Ainda bem que a história de vida dele desmente o provérbio de que “ninguém é profeta em sua terra”. Por isso, o nome do poeta revolucionário (e não transgressor) tem que ser relembrado no presente e no futuro.

Publicamos o soneto EGO SUM QUI SUM de Nascimento Morais Filho ao seu pai, jornalista e escritor, que lutou contra a escravidão negra:

“Corre sangue de heróis nas minhas veias;
Descendo da nobreza dos gigantes;
As flamas das batalhas conservei-as,
Forjadas na bigorna dos atlantes!

Atenas – meu brasão! … e das cadeias
Olímpicas dos sonhos deslumbrantes,
As vertigens azuis arrebatei-as
aureolando-as com os raios dos levantes!

Legionário da glória, dos umbrais
Da luz dardejo coruscante astas
contra o furor dos vis iconoclastas!…

A ressoar as trompas aurorais
Formarei novos mundos dos escombros
– Carregarei os séculos nos ombros!…”


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Patriarca da literatura brasileira, Machado de Assis diz em crônica publicada em A SEMANA (1° volume) que Tiradentes não foi enforcado:

“ Este Tiradentes, se não toma cuidado em si, acaba inimigo público. Pessoa, cujo nome ignoro, escreveu esta semana algumas linhas com o fim de retificar a opinião que vingou, durante um longo século, acerca do grande mártir da Inconfidência. “Parece (diz o artigo no fim) parece injustiça dar-se tanta importância a Tiradentes, porque morreu logo, e não prestar a menor consideração aos que morreram de moléstias e misérias na costa d’África.” E logo em seguida chega a esta conclusão: “Não será possível imaginar que, se não fosse a indiscrição de Tiradentes, que causou o seu suplício, e o dos outros, que o empregaram, teria realidade o projeto?”

Daqui a espião de polícia é um passo. Com outro passo chega-se à prova de que nem ele mesmo morreu; o vice-rei mandou enforcar um furriel muito parecido com o alferes, e Tiradentes viveu até 1818 de uma pensão que lhe dava D. João VI. Morreu de um antraz, na antiga rua dos Latoeiros, entre as do Ouvidor e do Rosário, em uma loja de barbeiro, dentista e sangrador, que ali abriu em 1810,a conselho do próprio D. João, ainda príncipe regente, o qual lhe disse (formais palavras):

– Xavier, já que não podes ser alfares, toma por ofício o que fazias antes por curioso; vou mandar dar-te umas casas da rua dos Latoeiros…

– Oh! Meu senhor!

– Mas não digas quem és. Muda de nome, Xavier; chama-te Barbosa. Compreendes, não? O meu fim é criar a lenda de que tu é que foste o mártir e o herói da Inconfidência, e diminuir assim a glória de João Alves Maciel.

– Príncipe sereníssimo, não há dúvidas que esse é que foi o chefe da detestável conjuração.

– Bem sei, Barbosa, mas é do meu real agrado passá-lo ao segundo plano, para fazer crer que, apesar dos serviços que prestou, das qualidades que tinha e das cartas de Jefferson, pouco valeu, e que tu é que vales tudo. É um plano maquiavélico, para desmoralizar  a conjuração. Compreendes agora?

– Tudo, meu senhor.

– Assim é bem possível que, se algum dia, quiserem levantar um monumento à Inconfidência, vão buscar por símbolo o mártir, dando assim excessiva importância ao alferes indiscreto, que pôs tudo de pernas para o ar, e a pretexto de haver morrido logo. Não abanes a cabeça; tu não conheces os homens. Adeus; passa pela ucharia, que te dêem um caldo de vaca, e pede por Sua Real Majestade e por mim nas tuas orações. Consinto que também rezes pelo furreil. Como se chamava? Esquece-me sempre o nome.

– Marcolino

– Reza pelo Marcolino

– Ah! Senhor, os meus cruéis remorsos nunca terão fim!

– Barbosa, têm sempre fim os remorsos de um leal vassalo!

E assim ficará retificada a história, antes de 1904 ou 1905, Tiradentes será apeado do pedestal que lhe deu um sentimentalismo mofento, que se lembra de glorificar um homem só porque morreu logo, como se alguém não morresse sempre antes de outros, e, demais, enforcado, que é morte pronta. Quanto ao esquartejamento e exposição da cabeça, está provado empírica e cientificamente que cadáver não padece, e tanto faz cortar-lhe as pernas como dar-lhe umas calças. Mas ainda restará alguma cousa ao alferes; pode-se-lhe expedir a patente de capitão honorário. Se está no céu, e se os mártires formam lá em cima, pode comandar uma companhia. Antes isso que nada.”


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* “O PODER CORROMPE E O PODER ABSOLUTO CORROMPE ABSOLUTAMENTE. (SAINT SIMON – GRANDE SOCIALISTA UTÓPICO)”

*A OPERAÇÃO LAVA JATO QUANTO MAIS PRENDE MAIS APARECEM QUADRILHAS

* NUNCA VIMOS TANTA CORRUPÇÃO  JOGADA PRA BAIXO DO TAPETE

* A CORRUPÇÃO É MÃE DA FOME E DA MISÉRIA

* A LUTA CONTRA A CORRUPÇÃO É UMA BANDEIRA SOCIAL E ECOLÓGICA

* A DIFERENÇA ENTRE O GOVERNO DILMA E OS OUTROS É QUE HOJE SE APURA A CORRUPÇÃO E ANTES ERA UM CRIME IMPUNE

*A CORRUPÇÃO É UM CRIME HEDIONDO COMO O ESTRUPO E O LATROCÍNIO

*O CONGRESSO NACIONAL É O PIOR EXEMPLO DE CORRUPÇÃO

*A DEMOCRACIA SÓ SOBREVIVE SEM A CORRUPÇÃO PATOLÓGICA E GENERALIZADA

*O POVO TÁ REVOLTADO COM TANTA CORRUPÇÃO


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Fala a verdade vil delator
não fujas da DURA LEX, SED LEX
para ganhar delação premiada
mentira ou meia verdade é crime
estás desfrutando de um favor
mesmo cometido algo hediondo
como roubar o patrimônio público
em país sério não terias o privilégio de um prêmio
delação desse tipo é traição
para ti, oh criminoso, a prisão perpétua
ainda é prêmio de loteria
a corrupção apurada pela lava jato é revoltante
e lança na miséria milhões de seres humanos
que contribuem com impostos e trabalho
para sustentar os vampiros da nação


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Ao levantar-se ainda bêbado, Tião ia imediatamente ao guarda-louça, onde escondia o litro de cachaça. Hoje, estava com mais “sede no pote”, como dizia com ironia. Encheu o copo da amarelinha, devagar, para que a mulher, ainda deitada, não ouvisse qualquer ruído.

Ergueu o copo com a mão direita para cima, dizendo mentalmente que o álcool jamais iria destruí-lo. Bebeu com sofreguidão e foi para o quintal atrás de uma folha de boldo. Mastigou e vomitou, sentindo o gosto amargo. Lavou a boca, o rosto e os olhos lacrimejantes. Todas as manhãs, vomitava ao tomar o primeiro gole.

Pensou no irmão que morrera aos 40 anos de pancreatite, em consequência da bebida. Tião tomou um copo d’água e tentou beber outra vez. Agora, a amarelinha desceu goela abaixo suavemente. Tomar cachaça àquela hora estimula a inspiração.

Olhou-se no espelho e percebeu que estava papudinho. Reconheceu que não era para menos, pois bebia, de manhã à noite, com intervalos para dormir dopado pelo álcool. Comia sem apetite algumas colheres de arroz, feijão e um pedaço de carne.

Dona Josefa , sua mulher, retrato fiel de santa, percebia, lá pelas 9 horas da manhã, que o marido já estava bêbado e ponderava com gestos polidos:

– Rapaz, desse jeito, você vai morrer.
– Se eu morrer, tudo bem. Não nasci pra pedra.
-Pacientemente, ela molhava as plantas. Tião continuava bebendo, ouvindo MPB e fantasiava a vida à maneira dos ébrios.

Zé Maria era dono de um boteco, perto de casa, onde comprava fiado. Consumia cachaça e cerveja, justificando que esta era “para lavar o peritônio”. Zé Maria era um alcoólatra da passiva, deixou de beber há 25 anos, após ter ingressado nos Alcoólicos Anônimos. O comerciante contava a Tião os sofrimentos que passara quando estava na ativa.

– Tião, a bebida me deu muito prazer, mas me destruiu. Eu tinha um comércio cinco vezes maior que esse aqui. Acabei tudo com a bebida. Por último, fiquei apenas com a roupa do corpo. Voltei para casa de minha mãe com uma sacola na mão. E os amigos sumiram quando meu dinheiro acabou.

Tião, mesmo bebendo, ouvia a história comovente de um alcoólatra.

Com gestos dramáticos, narrava na frente da quitanda a sua trajetória de beberrão. As pessoas que passavam na rua ou entravam no comércio já sabiam que Zé Maria estava falando do seu passado de alcoólatra. Um antigo morador dali debochou do comerciante:

– Também, Zé Maria, se você não tivesse deixado a bebida já teria morrido. Era uma cachaça muito louca. Um dia você desfilou na rua completamente nu.

Já tinha muita gente entrando e saindo e as gargalhadas tomaram conta do ambiente. Zé Maria ficou com a cara fechada, talvez contrariado com a lembrança, mas controlou-se.

Os dois sempre conversavam sobre alcoolismo, sendo que Tião fazia restrições às opiniões de Zé Maria, considerando que se tratava de trauma, achando que se poderia beber com controle.

Agora, no entanto, dava razão para Zé Maria, que repetia como refrão: “o alcoolismo é uma doença progressiva”.

Tião percebia que  estava aumentando o seu alcoolismo. Zé Maria dizia para ele:

– Eu comparo a bebida a uma roseira. Tem beleza, mas fere com seus espinhos.

Tião convenceu-se de que Zé Maria estava certo. A conversa com uma pessoa que sofreu tanto devido ao álcool vale mais do que a leitura de muitos livros sobre alcoolismo. Zé Maria, observando que Tião estava caminhando para o fundo do poço, disse-lhe:

– Olha Tião, eu sou teu amigo, porque és um cara bacana. Mas, toma cuidado com a tua bebida. Tu és quem escolhe: viver mais ou morrer dentro de pouco tempo.

Deprimido, Tião concordou, balançando a cabeça e braços cruzados. Zé Maria sentenciou:

– A escolha é tua: viver bem com tua família ou sofrer e fazer eles sofrerem por tua causa.

Tião chorava por dentro. Acendeu um cigarro, calado. Zé Maria contou emocionado, voz grossa, a sua experiência trágica:

– Quando eu me conscientizei de que o álcool é uma doença, levado bêbado pela minha filha, depois de bater nela por censurar a  bebida, cheguei num grupo do  AA e sentei no banco dos réus. Lá contei todas as desgraças que esse monstro me infligiu. Sua majestade, o álcool, não me domina mais, se Deus quiser. Todos os dias, peço a Deus para não beber.

Mostrando uma garrafa de vodka lacrada, Zé Maria ergueu-a triunfante, falando que a vodka fora a única que não bebeu e ficará ali como um testemunho de que acorrentou o diabo da cachaça.


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Só fui ao presídio porque se tratava de visita a um amigo que tinha sido condenado à prisão por tentativa de homicídio. Do contrário, jamais teria colocado os meus pés, ali.

É que sou traumatizado com cadeia. Entre várias prisões que tive, uma delas me marcou bastante. Colocaram-me numa cela junto com ladrões e assassinos. Lá, eles mijavam e cagavam. Imaginem o meu cheiro. Passei a noite em pé, sem coragem de sentar. Os outros, já acostumados, enfrentaram o cárcere com mais paciência.

Havia muitas pessoas no presídio. O ambiente estava animado. Percebia-se no semblante dos detentos um ar de alegria devido à visita de familiares e amigos. No pátio onde se encontravam presos e visitantes busquei encontrar o meu amigo. Andei para um lado e para o outro. Sentei-me ligeiramente perdido. Com as mãos no bolso, olhos vagos, parei para melhor me situar naquele mundo que não me era estranho. Encostei-me numa coluna observando algumas pessoas conversarem e caminharem. Minha atenção foi atraída por  uma cena que até hoje me comove. Uma senhora de cabelos prateados, branca, bonita na sua velhice, cobria um detento de beijos e ternura. Pensei imediatamente que deveria ser mãe e filho.

O surgimento repentino do amigo arrancou-me da cena. Demos as mãos um ao outro, cumprimentando-nos. Achei-o melancólico. Não era para menos. Ele estava preso por uma má sorte ou como queiram por fatalidade do destino.

– João, disse, o negócio aqui é pesado. Tem hora que quase perco a paciência. A liberdade da gente é a melhor coisa do mundo, por pior que seja a vida lá fora.

– Eu entendo, Paulo. Já fui preso várias vezes. Temos que aproveitar o tempo aqui e fazer alguma coisa. Não se pode é ficar pensando dia e noite, senão ficamos loucos.

– Trabalhar ou jogar, o que faz o tempo passar, está difícil por aqui. Depois que houve uma rebelião de presos é o maior rigor sobre os passos da gente.

Sentamos num banco de cimento. O burburinho de vozes dominava o clima da cadeia. Eram vozes e passadas. Paulo fumava com ansiedade. Disse-me que seu advogado estava tentando obter sua liberdade condicional. Falei-lhe que devia conseguir, porque era réu primário. Mas, Paulo, impaciente, com razão, claro, esculhambou a justiça de insensível e morosa…

Descontraímos a conversa. A tarde esvaía-se entre sombras. Bati no ombro dele e dei-lhe ânimo. A mãe e o filho passaram abraçados em nossa frente. Fiquei, mais uma vez, absorto com a demonstração de amor e carinho dada pelos dois.

– Quem é esse rapaz que passou abraçado com aquela senhora? Perguntei a Paulo ansioso para matar minha curiosidade.

– Adivinha? Disse Paulo, com um sorriso amargo.

– É a mãe dele, afirmei.

– Não.

Paulo me olhou com malícia. Esperou minha reação.

– Então o que ela é dele?

Paulo foi incisivo:

– Ele é o assassino do filho dela…


marcha

As marchas pela igualdade de gênero e pela legalização da maconha vêm sacudindo a opinião pública. Na câmara dos deputados federais e no senado, as bancadas evangélicas se manifestaram indignadas contra as relações homoafetivas. Mas, nas ruas, os movimentos encontram apoio da juventude, principalmente.

Entre pros e contra, o fundamental é que prevaleçam as liberdades democráticas, a livre expressão dos pensamentos, sem cerceamento totalitário. Aliás, o Supremo Tribunal Federal decidiu, nesta semana, em sessão histórica liberar as biografias não autorizadas. Os ministros do STF deram votos calcados na liberdade de pensamento.

A marcha da maconha é outro movimento que tem conquistado o apoio até de personalidades politicas como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que até recentemente fez palestras defendendo a descriminalização da erva, tão cara aos nossos nativos indígenas, os quais podem usá-la nas aldeias, conforme permite a legislação. No senado, o pedetista Cristovam Buarque, ex-reitor da universidade de Brasília, e ex-ministro da educação do governo Lula, tem um projeto que é favorável ao uso da droga canabiótica para fins recreativos. Assim, a maconha vai deixando de ser amaldiçoada como uma coisa maldita. Há dias atrás, lemos no jornal Folha de São Paulo Online, que nos Estados Unidos foi fundada a igreja da maconha, numa das unidades federativas norte-americana.

No Maranhão, vivemos um retrocesso perigoso, porque os artistas são tratados como criminosos porque defendem a legalização da cannabis sativa. Embora , pessoalmente , tenha ultrapassado a idade de saúde para os vícios, penso que o futuro é das forças sociais progressistas em todos os quadrantes do Brasil. Acontece, como dizia o grande Caio Prado Júnior, temos as elites mais atrasadas do mundo, que pregam a virtude e seguem o vicio. A corrupção, por exemplo, é um comportamento altamente destrutivo para a justiça social, parece até que estamos em um país pontilhado por ilhotas de quadrilheiros de todos os tipos. Para mascarar os seus malfeitos, os poderosos buscam forjar preconceitos absurdos.


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