ADEUS A CUNHA


noticia_eduardo-cunha1440129625

O deputado Eduardo Cunha chegou à presidência da Câmara Federal como um cometa, que perturba o universo. Tumultua a cena política juntamente com os parlamentares da oposição conservadora. Conhecedor do regimento da Casa, em pouco menos de um ano de mandato fez manobras arrepiantes para fazer valer a sua vontade política como aconteceu com a redução da maioridade penal. Seus dois propósitos prioritários são o impeachment de Dilma e a aprovação do parlamentarismo no país. Este é de interesse das elites que pretendem se perpetuar no poder. Para o povo o presidencialismo é melhor que o parlamentarismo.

Político fisiológico até à alma, logo conquistou a maioria parlamentar que ameaça ainda afastar a Presidenta da República. Espertalhão como raposa da política, começou a rejeitar os pedidos de impeachment menos importantes e a  esta hora deve está debruçado no texto de afastamento de autoria do procurador aposentado Hélio Bicudo.

O envolvimento de Cunha em corrupção ficou agora comprovado com os extratos bancários que a justiça da Suíça enviou para a Procuradoria Geral da República. A repercussão desse fato chegou a mobilizar um grupo de deputados que levou o caso dele para o Concelho de Ética da Câmara. O escândalo está como principal tema das redes sociais e da grande mídia tradicional.

Mas, Cunha como todo corrupto cínico diz que não renuncia. O congresso nacional costuma, no entanto,  limpar sua imagem desgastada perante a opinião pública. E seus aliados mais fiéis do PSDB e parte do PMDB já estão querendo a renúncia de Eduardo Cunha. Desmoralizado politicamente, ele vai ter que sair e esperar o processo de cassação que merece. Como bom evangélico deve ser alvo de compaixão pelos membros da sua igreja na mansão dos mortos políticos.

Anúncios

A ERA DIGITAL


Massimo_Di_Felice_350x200

TRANSCREVEMOS UMA PARTE DA ENTREVISTA QUE O SOCIÓLOGO MASSIMO DI FELICE CONCEDEU À REVISTA DO INSTITUTO HUMANITAS SOBRE A REVOLUÇÃO DIGITAL:

” IHU On-Line – Como podemos compreender a importância e o significado das redes digitais no contexto atual?

Massimo Di Felice – Como aconteceu em outras épocas da história, o advento de uma nova tecnologia comunicativa gera transformações qualitativas em todos os setores da sociedade. Marshall McLuhan foi um dos poucos autores do século XX, junto a Walter Benjamin, a observar a importância das mídias a das formas comunicativas no interior dos processos de transformação social. Nas ciências sociais, como é conhecido, difundiu-se no século XX um paradigma interpretativo que analisava a função social das mídias a partir de uma perspectiva instrumental que julgava a comunicação como uma simples atividade de repasse das informações entre os atores sociais e, portanto, atribuindo-lhes a simples função de veículo e representando-as como um conjunto de canais passivos e jamais intervenientes como partes ativas no processo.
Ao contrário, como observado por McLuhan, a função social das mídias não se limita ao seu conteúdo ou ao seu impacto social: “As sociedades sempre foram influenciadas mais pela natureza dos media, através dos quais os homens comunicam, do que pelo conteúdo da comunicação”. Daqui a necessidade de repensar a função social da comunicação que se estende para além do impacto social de seu conteúdo ou da sua função política. Descobre-se, assim, a partir dessa ótica, a importância estrutural da introdução de uma nova tecnologia da comunicação, do advento da escrita na cultura ocidental, da impressão no século XV, através da invenção de Gutenberg , assim como da eletricidade e das mídias de massa no século XX. A cada uma dessas revoluções comunicativas alterou-se não apenas a forma de comunicar – isto é, a quantidade do público atingido pela informação, reduzindo-se o tempo e os custos necessários a difusão –, mas também a sociedade inteira que passou por qualitativas transformações.
Revolução digital, revolução comunicativa

A revolução digital é hoje a última revolução comunicativa que alterou, pela primeira vez na história da humanidade, a própria arquitetura do processo informativo, realizando a substituição da forma frontal de repasse das informações (teatro, livro, imprensa, cinema, TV) por aquela reticular, interativa e colaborativa. Surge, portanto, uma nova forma de interação, consequência de uma inovação tecnológica que altera o modo de comunicar e seus significados, estimulando, ao mesmo tempo, inéditas práticas interativas entre nós e as tecnologias de informação.

É evidente como, perante tais perspectivas, se faz necessária uma nova teoria social das mídias e uma nova perspectiva dos estudos de comunicação. Não podemos mais pensar as mídias como “ferramentas”, instrumentos a serem utilizados, pois, ao utilizarmos novos meios, passamos a desenvolver novas formas de interação e experimentamos novos modos de comunicar, por exemplo, as redes sociais e os smartphones são portadores de inovação não apenas no âmbito tecnológico, mas também no social, sensorial, político, econômico e cultural.

Evidencia-se em tal perspectiva uma importante dimensão social da técnica que as ciências sociais abordaram geralmente de forma superficial, preferindo se concentrar na análise políticas dos impactos e de seus efeitos, valendo de uma perspectiva dialética que compreendia a técnica como algo externo ao social e, consequentemente, como uma ameaça às atividades humanas e à sociedade como todo. Se continuarmos a concentrar nossa atenção apenas nos efeitos dos “meios” e na dimensão política de suas mensagens, não conseguiremos mais entender as transformações sociais em ato e suas dimensões tecnossociais.
IHU On-Line – Em conferência recente, o senhor abordou o conceito de “pós-complexidade”, propondo um modo de pensar a comunicação digital a partir de um “paradigma reticular”. O paradigma complexo está superado? Que questionamentos as redes colocam à reflexão contemporânea?

Massimo Di Felice – As redes digitais, isto é, o conjunto de redes de redes, apresentam-se, antes de tudo, como um problema hermenêutico. Quando falamos de rede não estamos falando de um sistema. A forma rede é sempre um conjunto de redes de redes, isto é, um conjunto de conjunto de inter-relações, cujos limites ou perímetros são ilimitados e remetem, sobretudo, a mais de um sujeito.
Uma vez que o repasse de informações não é mais frontal (emissor-receptor), este acontece entre diversos membros e coletivos; a digitalizar-se não são apenas as relações comunicativas entre as pessoas, mas também os territórios, as mercadorias, os objetos, o meio ambiente, a natureza etc. Devemos pensar, portanto, o processo comunicativo em rede como um ecossistema e, portanto, sujeito como todos os ecossistemas a um conjunto de relações com os outros ecossistemas no interior da biosfera que torna cada um parte de uma rede de redes.

A delimitação de um ecossistema é uma operação arbitrária, legítima, contudo, não objetiva. Como nos explicam as ciências biológicas, quando nós falamos de um ecossistema qualquer, por exemplo, uma lagoa, nós estamos incluindo nesse o conjunto de populações vegetais, animais e minerais aí residentes. Porém, ao fazer esta soma, devemos incluir também as aves, parte das quais por metade do ano emigram para outras localidades, modificando com as suas ausências o meio ambiente, como também a ação do animal humano que resultará nas emissões de CO2, pela eletricidade pela difusão no território de elementos químicos, etc., estendendo o microclima e a delimitação ecológica dos ecossistemas, para além do perímetro da própria lagoa. Se acrescentamos a esses elementos a quantidade de chuva ou a luz do sol, elementos fundamentais para o normal funcionamento do ciclo de vida dos ecossistemas, entendemos que ele seja um conjunto de redes de redes indelimitável. Quando falamos de comunicação em rede devemos ter presente tudo isso.
“Somos rede”

Mas existe outro elemento decisivo que devemos levar em conta e que nos leva a superar a lógica do sistema. Esse elemento está relacionado à impossibilidade da visão externa do conjunto de redes de redes. A única forma para observar um processo reticular é fazer parte dele, experimentá-lo e, portanto, alterá-lo, modificá-lo, aspecto este que impossibilita a sua percepção objetiva. Acontece numa arquitetura reticular algo próximo ao que aconteceu no estudo da matéria na física, em particular, algo próximo ao princípio de indeterminação de Werner Heisenberg , que estabelece uma relação dialógica entre o observador e o objeto observado. Tal relação se dá não apenas no momento da observação, mas também na fase anterior e em todas as fases da pesquisa.

Como é conhecido, o estudo das partículas subatômicas pressupõe a escolha prévia de uma específica teoria da matéria, cuja opção irá determinar o tipo de objeto a ser observado. Portanto, o resultado do nosso pesquisar mudará conforme a nossa ideia de rede e o tipo de concepção de rede que elegemos antes de começar a observação. Como observou George Bateson, não podemos nos colocar externamente a um processo comunicativo reticular, pois estamos nele, fazemos parte dele, assim como ele nos compõe.

Estamos, portanto, perante um tipo de complexidade não sistêmica enquanto não composta nem subdivisível num conjunto de partes interdependentes, pois seus fluxos informativos não são lineares e suas dinâmicas interativas não são frontais. Parece-me que a perspectiva reticular supera a dimensão multicausal e aquela da reversibilidade da complexidade, apresentada por Edgar Morin  na obra “O Método”.

TERESINA


A capital do sol e da cajuína é dona de um potencial imenso, possui natureza farta, artesanto rico, manifestações populares, além de nos ultimos anos depointar como pólo de desenvolvimento. Há passeios obrigatórios, como o Parque Encontro dos Rios, onde fica evidente a

Teresina Teresina
abro a saudade
(essência do tempo)
nesse mundo
racionalizado e objetivo
Piçarra
minha infância peralta
Praça Pedro II
és o miolo da cidade
Parnaíba velho monge
és a poesia mafrense
em tuas águas perdi
um caderno de versos
Poti
quase foste a minha sepultura
o bom destino me salvou
Paissandu
és a simbologia do prazer
e do orgasmo
Teresina Teresina
teu sol equatorial
aquece a saudade

(Poema do livro POÉTICA EM CLAVE DE SOL)

GOVERNOS POPULARES


lula-dilmaPopulares e não populistas como dizem a direita e seus seguidores intelectuais que se passaram vergonhosamente para o campo do conservadorismo. O Brasil não tem tradição democrática longeva, talvez tenhamos vivido o período mais longo sem tentativas de golpe. O suicídio de Getúlio Vargas em 1954 prorrogou para 1964 mais uma ditadura militar, que derrubou o presidente civil João Goulart. Durante 21 anos,  vivemos um regime autoritário. A ditadura legou-nos corrupção e o crime organizado.

Com a redemocratização tivemos os governos Sarney, Collor ( este deposto ) e o vice Itamar Franco assumiu o poder. Depois, veio o governo FHC, que mudou as regras do jogo e criou o instituto da reeleição, governando durante 8 anos. A corrupção continuou em todos eles. Mas, nem um deles criou programas sociais como os de Lula e Dilma Rousseff. A corrupção prossegue como mostra a operação Lava-Jato.

A diferença entre os dois governos populares do PT e os anteriores é que a corrupção era jogada para baixo do tapete e, agora, é apurada até às ultimas  consequências. A conspirata atual, para usar um termo tão grato ao ministro parcial Gilmar Mendes, do STF, vem da oposição conservadora do PSDB, parte do PMDB, PPS e banqueiros internacionais, entre outras siglas partidárias.

A crise politica está instalada, há poucos dias o procurador aposentado Hélio Bicudo, um dos fundadores do PT, ingressou com um pedido de impeachment da presidente Dilma. Só Deus sabe que maus fluidos os levou a tal atitude. Um observador político qualquer pode imaginar com exatidão as consequências desastrosas do afastamento de Dilma para a democracia, que não suporta os confrontos que poderão ocorrer nas ruas e no parlamento entre as forças políticas do país. É muito difícil uma solução pacifica como a de Collor.

LUTA DE CLASSES


monique-bastos-vs-le-voleur_86700_w460

*A foto mostra que existe luta de classes entre ricos e pobres, brancos e negros, apesar de pensadores neoliberais negaram esse fenômeno social. A lutadora Monique Bastos reagiu a um assalto em Açailândia, no Maranhão, imobilizando o assaltante Wesley Sousa de Araújo, que se deu mal no primeiro assalto que fez juntamente com outro, o qual conseguiu fugir numa motocicleta com o celular dela.

*O sociólogo Massimo Di Felice diz: “A revolução digital é hoje a última revolução comunicativa que alterou, pela primeira vez na história da humanidade, a própria arquitetura do processo informativo”.

*O escritor piauiense Geraldo Borges, um erudito em literatura clássica, jamais fez elogio a si próprio para adquirir fama. Como um literato sério deixa que os outros opinem sobre ele, sem apelar para artifícios fraudulentos.

Marx_old * “A religião é um coração num mundo sem coração”, Karl Max

*A degeneração política à direita de Ferreira Gullar pode ser constatada nas crônicas que escreve aos domingos na Folha Online.

Imperador-Constantino*O cristianismo foi implantado em Roma pelo imperador Constantino, mais de três séculos depois de Cristo, graças à parteira da história.

PDT DO MARANHÃO


bandeira_pdt_tremulando

O PDT maranhense dá  um passo importante para tornar-se um partido de peso no mapa da esquerda, com as filiações dos prefeitos Edivaldo Holanda, Leo Coutinho e Gil Cutrim, entre outros.

Partido de forte tradição trabalhista e democrática, fundado por  Leonel Brizola, Neiva Moreira, Jackson Lago, tem uma história no Brasil de lutas contra a ditadura militar de 64. Atualmente, dirigido nacionalmente por Carlos Lupi , o partido conta em seus quadros com políticos experientes.

No Maranhão, o timoneiro foi o ex-governador Jackson Lago, chefe da oposição, que  infelizmente faleceu ainda numa idade em condições de prestar relevantes serviços à política do nosso estado. Mas, quando se pensava que estaria relegado a segundo plano, eis que as novas lideranças partidárias dão um salto de qualidade rumo à hegemonia política.

O cenário eleitoral de 2016 e 2018 ganha novos contornos, e o PDT poderá credenciar-se para disputar com sucesso as eleições para prefeito e governador do Maranhão. O destino do PDT surge alvissareiro para o bem do povo sofrido e injustiçado.

LÍDER MAIOR


mexeu-lula

A maré conservadora tenta por todos os meios atingir a reputação política do ex-presidente Lula, a maior liderança dos últimos  50 anos. O povo reconhece os resultados sociais como a Bolsa Família e o ciclo econômico virtuoso do seu governo.

As acusações contra ele são as mais torpes e perversas. Pretendem processa-lo via Operação Lava Jato. Dificilmente alcançarão esses objetivos obscuros, por trás dos quais se escondem interesses que visam desestabilizar o governo Dilma e até as instituições republicanas.

É verdade que existe um clima propício a golpes, em consequência da crise econômica. Sabemos que nem um governo tem o poder milagroso de sair da crise repentinamente. Fatores internos e externos são desfavoráveis a uma recuperação econômica rápida e duradoura. Desde 2008, quando explodiu a bolha imobiliária nos Estados Unidos, a economia internacional entrou em uma depressão profunda, com duração que se estenderá até o dia que não podemos adivinhar.

Quem quiser apostar num golpe que tente, mas é um caminho altamente perigoso para a democracia e o estado de direito. Não teremos mais um golpe tipo 1964. Será mais desastroso porque as forças dos trabalhadores organizados é imensa diante de milícias construídas por setores desesperados das elites .

A OUSADIA DE JOSÉ REINALDO


jose-reinaldo

O ex-governador e atual deputado federal José Reinaldo Tavares surpreende a opinião pública maranhense com a ousada ideia do Pacto Pelo Maranhão. Como é obvio, as resistências contra  proliferam nos meios políticos e, sobretudo, entre comentaristas da mídia. Mas temos que salientar aspectos da biografia politica do parlamentar.

Se não fora a ousadia de José Reinaldo em  ter como governador se rebelado contra o grupo Sarney, ao qual pertenceu umbilicalmente durante muito tempo, evidentemente que a antiga oposição estaria ainda marcando passos rumo ao Palácio dos Leões. Talvez, a ruptura provocada por ele seja o fato mais importante da política maranhense de que se tem noticia. Jackson Lago, um oposicionista histórico, chegou ao governo do Estado pelas mãos de José Reinaldo.

A perseguição que sofreu dos detentores do poder sarneyzista merece  registro histórico , assim como  Sarney comeu o pão que o diabo amassou  ao se voltar contra o vitorinismo,  uma oligarquia solidamente fincada na ditadura militar de 64. Nesse contexto, Sarney e José Reinaldo se  parecem como dissidentes. Diferentemente do ex-presidente, José Reinaldo preferiu o caminho de ousar,  simplesmente, sem ambição pelo poder que tudo pode.

Agora, de engenheiro civil para engenheiro da política, no artigo PACTO E DEBATE PÚBLICO, publicado no “Jornal Pequeno”, edição de terça-feira passada, detalha os projetos  que já está discutindo com a sociedade, cuja execução depende do apoio de José Sarney, ainda homem de muito prestígio no PMDB e na política nacional. E é exatamente o diálogo que propõe com personalidades como Sarney que tem causado um alvoroço entre gregos e troianos.

O que propõe Jose Reinaldo? Implantar o Instituto Tecnológico do Nordeste em Alcântara,  com professores e técnicos da  melhor escola de engenharia do Brasil,  que permitiu o sucesso da indústria aeronáutica  no  sudeste . O segundo projeto do pacto é a dinamização do Porto do Itaqui para ser o parceiro concentrador de carga do Brasil para o Canal do Panamá. Os outros serão a implantação de um moderno sistema de transporte de massa em São Luís e região  metropolitana ; e um centro de alto nível para formação de professores do ensino fundamental e básico.

O Pacto pelo Maranhão pode ter outros projetos e não significa capitulação política do governo de Flavio Dino à família Sarney. É, isto sim, um salto enorme para recuperar o tempo perdido com politica de terra arrasada em que vivemos durante séculos. Que as mentes sabotadoras entendam a magnitude da ideia.

ANTEPASSADOS


DSC00202

Por essas ruas seculares
piso sobre os rastros
dos meus antepassados:
meu pai minha avó
minha bisavó negra escrava
que apanhava de chicote
dos poderosos da época

sobradões mirantes igrejas
estátuas ruas e vielas
testemunhas insuspeitas
dos horrores da escravidão

São Luís pátria consanguínea
carrego nas veias tua história
por hereditariedade

Ah ilha colonial imperial
cara fantasia que apalpo
nos momentos de recordação