Blog de Samuel Filho

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Pai, hoje é o seu aniversário e eu estou aqui mais uma vez para desejar muitos anos de vida, que Deus te ilumine e lhe proteja de tudo e que mesmo nessa sua idade crie juízo porque ainda falta muuuuuito o senhor gosta de viver como um adolescente e mesmo para a sua idade é bem moderninho hahaha. Pai, quero que você saiba que apesar de certas coisas eu amo você mais que tudo e o que eu faço para o senhor é para o seu bem, e mesmo que o senhor não goste eu faço pensando no seu bem.  Pai, você é um cara incrível, inteligente, zangado mais eu sei que por dentro é um amor de pessoa e apesar de não gostar de demonstrar muito isso, porém eu sei que é amável e que me ama mais que tudo e como você diz “ Eu sou a maior, a única ”.

Pai, você é um grande homem, mas, as vezes tem que saber se controlar e saber o certo e o errado o que deve ou não fazer e fica agindo feito um adolescente. Estou falando isso porque eu me preocupo com o senhor e você é tudo para mim e eu não quero perder você e quero ver o senhor bem tanto fisicamente quanto emocionalmente e isso é o que mais me importa nessa vida. Sei que a gente se desentende as vezes, e a gente se parece em tudo eu me acho igual a você, não uma copia mas, sou a metade de você.

Como o senhor poderia passar aqui o dia escrevendo e acho que puxei isso de você, nisso somos iguais porque foi você quem me ensinou a ler e a escrever e peguei o gosto pela coisa apesar de não escrever tanto como você. Quero dizer o quanto eu sou grata e feliz por ser sua filha sua eterna Raquel cara de pastel, de papel, a indiazinha e dos milhões de apelidos que o senhor já colocou em mim e você é o meu eterno Cara de Paca quem mandou me contar esse apelido não é cara de paca ? hahaha .

O senhor mesmo não sendo o cara mais sentimental do mundo é o meu pai, o meu herói e mesmo eu tendo 21 anos sempre serei aquela menina que o senhor colocava no ombro e saia comigo pela rua, a menina que adorava andar de bicicleta com o senhor e mesmo quando caiamos eu adorava haha, adorava quando eu fazia os meus shows para o senhor, cantava e dançava e o senhor achava o maior barato ou até mesmo quando eu perguntava : – Pai, eu estou bonita ?  E o senhor dizia que eu estava linda . Obrigada pelas histórias que o senhor me contava e obrigada por me deixar com medo do Homem do Saco hahaha, dos contos que o senhor fez para mim, obrigada por ter me feito a pessoa que eu sou hoje isso eu devo ao senhor e a mamãe OBRIGADA ! E eu amo você muito mais que tudo e o senhor sabe que é só me gritar que eu vou correndo. Eu te amo muito e Feliz Aniversario cara de paca e eu espero que fique bom da visão e possa ler isso que eu fiz essa pequena invasão no seu blog. Eu amo você não esqueça disso NUNCA !

Da sua filha Raquel 


 

 

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Um dia, pedrinhas, serás museu
quando nos libertarmos da política romana de hoje
para a sociedade regulada, o reino da sociedade regulada
sem classes, sem poderes, sem exploração
o inferno de hoje que és será
apenas memória macabra.


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jamais nasci para ser Pilatos
nem procurador da miséria alheia
sou apenas peregrino da poesia
que irradia altaneira
da ilha ludovicense
para o mundo inteiro


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A cinestesia de Nauro Machado é particularmente fenomenal como podemos constatar pela leitura da sua extensa obra poética. Transcrevemos, aqui, uma estrofe da composição em sextilha “ Angústia Larvada no Tempo ” do livro O EXERCÍCIO DO  CAOS (1961)

‘‘… e indissolúvel morte asfixia o corpo

( e a mãe justifica o filho no ventre ),

eu, por mim não escolhido ou aceito; eu, sóbrio

fruto por onde cai o auxílio próprio

de mim, do meu medo , enorme, de o fruto,

real, ser o ser no que há de vir

ou que não virá na aceitação : paz…”

Paralelamente observamos o domínio técnico do autor na arte da poesia. O poema acima é um exemplo, entre muitos outros, da fascinante  capacidade de construir versos livres. Mais adiante, vamos salientar, a qualidade dele de como um bailarino clássico  que transita com  extrema maestria entre as formas antigas e modernas de versejar.

Em DO FRUSTADO ÓRFICO (1963), pinçamos está perola :

“ Ó Paz

dos dentes :

que pás

ardentes ”

SEGUNDA COMUNHÃO (1964) revela o dom altamente cinestésico de Nauro Machado. No poema “ Encargo ” nos deleitamos :

“ Enterrei os cadáveres das meninas

com mãos pelo pranto decepadas.

Enterrei os seios das meninas, como limões

que guardassem os cavalos da carne ”

Assim, navegamos no oceano ignoto da arte poética desse vate imortal, que será justamente homenageado pelos séculos dos séculos. Para dissecar tanta riqueza genial do maior herdeiro da terra dos poetas, que é o Maranhão, seria necessário examinar em grupo por muito tempo uma obra que surpreende o mundo, sem medo de estar exagerando.

OURO NOTURO (1965), ZOOLOGIA DA ALMA ( 1966), NECESSIDADE DO DIVINO (1967 ), NOITE AMBULATÓRIA ( 1969) , DO ETERNO INDEFERIDO (1971), DÉCIMO DIVISOR COMUM ( 1972 ), TESTAMENTO PROVINCIAL ( 1973 ), A VIGÉSIMA JAULA ( 1974), OS PARREIRAIS DE DEUS (1975), OS ÓRGÃOS APOCALÍPTICOS ( 1976 ), ANTIBIÓTICA NOMENCLATURA DO INFERNO (1977), MASMORRA DIDÁTICA (1979), AS ÓRBITAS DA ÁGUA ( 1980), O CALCANHAR DO HUMANO (1981),  O CAVALO DE TRÓIA ( 1982) , O SIGNO DAS TETAS ( 1984), APICERUM DA CLAUSURA ( 1985) , OPUS DA AGONIA ( 1986) , O ANAFILÁTICO DESPERO DA ESPERANÇA ( 1987) , A ROSA BLINDADA (1989), MAR ABISTÊNIO (1991) , LAMPARINA DA AURORA ( 1992), FUNIL DO SER ( CANÇÕES MINIMAS) (1995),  A ATRAVESSIA DO RÓDANO (1997) , TÚNICA DE ECOS (1999) , O ALAÚDE AMBÍGUO ( 2002), A ROCHA E A ROSCA (2003) , PÃO MALIGNO COM MIOLO DE ROSAS ( 2004).  Estes livros contêm o mesmo nível estético e cinestésico do oficio de profissão de fé que  Nauro Machado elegeu como causa maior de sua existência. Segundo o cineasta Frederico Machado, filho de Nauro  e da escritora Alerte da Cruz  Machado, o poeta deixou inéditos outros livros, mas a coluna vertebral da poesia desse “mestre da província ”como disse o escritor Josué Montello, permanece com a mesma essência estético – filosófica.


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Nauro  Machado é um poeta profundamente cinestésico, conforme mostram os poemas desde a sua estreia em 1958 com o livro CAMPO SEM BASE. Vejamos  “Metamorfose Inicial”, que é o manifesto de um canto que  silenciou  para sempre no dia 28 de novembro de 2015:

“Me crio em nova forma. Não
a que em quartos, corpos
gastos sofrem, tão sós,
pastos vis de um mútuo asco
solitário. Bem os sei também
distendidos, parto enfim
da morte, não a própria
(dificílima),
mas suja e dividida
com outrem. Me crio em nova
forma. Uma, incessante, dia meu, –
árduo, que sobre o piso a
comida de ontem jaz. Sabe a
tarde, loucura, carne ou
legume? No banho seu odor
me penetra — sabre. Foi e
já não é, coube e já não
cabe: cai, ressequida, lúcido
ódio! Me crio em nova
forma. Não esta, mas outra
maior, dia meu, mais árduo,
onde meus ócios secam,
apodrecidos, no tédio
das palavras.”

É também o anúncio de uma nova estética no final dos anos 50, quando ouvíamos ainda os ecos da ruptura da Semana de Arte Moderna de 1922. E Nauro Machado é uma ruptura dentro da ruptura, solitário profeta no mundo de uma nova linguagem que ultrapassou os modismos modernistas. Ele manteve uma unidade formal de extraordinária coerência, produto de uma criatividade radical, que não pode ser dissecada através de rotulações generalistas. Só a metafísica dialética ousa penetrar-lhe as entranhas.


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Fizemos uma copidescagem necessária do primeiro capítulo de introdução à poesia de Nauro Machado. Os manuais de jornalismo nos ensinam que não existe texto definitivo. Com o escritor ocorre algo parecido à rotina das redações. Estamos sempre aperfeiçoando a construção formal.

Superamos a questão da busca de fontes de pesquisa com a disponibilização na internet de abundantes informações. Encontramos o livro de Hildeberto Barbosa Filho, uma seleção dos melhores poemas de Nauro Machado, lançada em 2005, que cobre grande parte da produção poética. Acontece que o escritor produziu nos ultimo dez anos títulos relevantes numerosos, entre publicados e inéditos, conforme constatamos na enciclopédia Wikipédia.

Vamos tentar simplificar a necessidade de nos apoiar em todas as opiniões que temos agora à disposição. Aliás, não seria humanamente possível fazê-lo solitariamente. Só uma equipe de especialistas em poesia pode fazer esse enfrentamento analítico de uma obra gigantesca.

Por isso, optamos como instrumento de análise conceitos de uma tecnologia de comunicação criada na década de 70 e intitulada Programação Neurolinguística (PNL), fundada por Richard Bandler, bacharel em Filosofia e Psicologia pela Universidade da Califórnia, e John Grinder, linguista. Trata-se duma metodologia que estuda a experiência subjetiva dos seres humanos.

Pelo que sabemos e acompanhamos desde que surgiu no Brasil, a PNL jamais foi utilizada como método de análise literária. Já publicamos, em 2007, trabalhos fundamentados na PNL, como o salmo 23, livro do Velho Testamento. E, agora, decidimos cumprir uma velha promessa feita a Nauro Machado em 2008, uma forma de homenageá-lo in memoriam.

 


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Temos algumas dificuldades teóricas para escrever sobre a poesia de Nauro Machado, falecido recentemente. A primeira delas é a volumosa obra do poeta, que lemos desde que chegamos em 1976 em São Luís do Maranhão,  egresso do Rio do Janeiro,  onde trabalhei como jornalista e estudante de Direito, além de ex – preso político anistiado há 10 anos atrás.

A segunda relaciona-se com as ferramentas conceituais que uma análise razoável exige. Há aplicativos teóricos tradicionais e modernos para se interpretar uma escritura tecnicamente sofisticada, elaborada durante aproximadamente seis décadas de exercício de um caos poético mais organizado que conheci até hoje. O outro percalço é ter que ler novamente o vate do mundo que ele é, embora a mídia poderosa internacional e especializada não dê a Nauro Machado o tratamento que merece.

Ainda estou empreendendo uma busca entre meus livros de uma antologia que sintetize a vastidão de uma produção literária notável, rica e opulenta metaforicamente. Por isso, tenho que tomar muito  cuidado para não cair numa hermenêutica imediatista e superficial.

Mas, a titulo de introdução,  podemos salientar que Nauro Machado é um poeta extremamente original, em comparação com  outros  de gerações passadas e contemporâneas.  É difícil demonstrar a superioridade estética desse  monumental legado poético. Nesses tempos de internet, porém, não é impossível provar ao mundo que na ilha universal de São Luís do Maranhão nasceu e faleceu aos 80 anos de idade um ícone da poesia, sem temor de exagerar ridiculamente.

Fico, pois, dependente de ter em mãos o material produzido por ele com  assombrosa genialidade. Estou convicto de que fora do Maranhão despertarei controvérsias, porque estamos mal acostumados a importar paradigmas estéticos de grandes centros culturais, mesmo com a derrubada dos muros provincianos desencadeada pela era digital, que  impôs a maior e a última revolução na comunicação da história da humanidade.

 


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